Copyright © Palavra-poeta
Design by Dzignine
7 de fevereiro de 2012

Lógica Abandonada - Parte II




Eu o aceitei com todos os seus defeitos, com todas as suas manias, com todas as suas desorganizações. Achei que, com o tempo, seria possível mudá-lo, moldá-lo do jeito que eu queria. Comecei a pesquisar sobre o amor já que nunca havia parado pra pensar muito sobre o assunto. Me vi em meio a um impasse... Todos os livros que Rafael tanto gostava, todos os romances de amor, eram livros sobre o amor entre uma mulher e um homem. Então comecei a ver o quanto a minha lógica havia me deixado alienado, preso em um mundo só meu... Comecei a lembrar da bibliotecária e seus príncipes imaginários, lembrei de minha mãe abandonada por meu pai, lembrei dos namorados na praça, menino e menina. Pense o que quiser, mas sempre foi muito natural em mim que reparasse mais em garotos do que garotas e, como não ia muito adiante, nunca havia parada para pensar nisso. Aliás, nada que se referisse a amor me era convidativo.
6 de fevereiro de 2012

Lógica Abandonada - Parte I


Madrugada de domingo. O tique-taque do relógio martela em minha mente e eu fico cada vez mais confuso. Não gosto de me sentir confuso, gosto de organização, gosto de disciplina, gosto de estantes etiquetadas, separando os livros por assuntos devidamente, perfeitamente. Mas já não é possível eu separar os livros, já não é possível etiquetar as estantes... As estantes da minha memória estão despencadas, já não há madeira sobre madeira e os livros das minhas lembranças estão esparramados e eu não consigo mais lembrar onde colocá-los. E tudo isso por causa de alguém que acaba de me abandonar...

Sim! Eu, que costumava gritar para quem quisesse ouvir que não queria relacionamentos e que nunca teria meu coração partido. Eu, que me gabava por ter o coração mais frio. Eu acreditava que não possuía sentimentos e tudo mudou de uma forma tão rápida que já não há mais estruturas. Como já dizia Shakespeare um dia a gente aprende. E como aprende! Às vezes de uma forma muito cruel.
3 de fevereiro de 2012

Quem me dera tu aqui


Quem me dera...
Quem me dera pudesse te ter
E em seus abraços meus suspiros encolher
Quem me dera te possuir
E também ser sempre teu
Sempre que eu fosse necessário a ti

Quem me dera...
Quem me dera nossas brincadeiras reais
Sem essa enorme distância mais
Se antes mantinha dúvidas sobre ti
Que, confesso, acho que não tinha
Agora a confusão não está mais aqui.
Ter-te perto de mim é certeza minha.

Mas não quero bancar o possessivo
E sei que tu, que preza tanto a liberdade,
Não gosta disso
Então continuemos nesse nosso não-compromisso
Mas saiba que te amo, e muito!
Meu amigo mais que amigo. 

2 de fevereiro de 2012

Minhas inseguranças

Se eu soubesse o peso da expressão "é preciso amar a si mesmo antes de amar alguém" eu já teria corrido atrás de amor próprio, de auto-estima ou como quer que seja chamado o valorizar o que temos, e o faria só para não perdê-lo. Ficou tão claro agora que nem todo o amor do mundo seria suficiente para derrubar as minhas inseguranças...


Excrucitante


"Sinto a falta dele como se me faltasse um dente na frente: excrucitante."
Clarice Lispector