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17 de outubro de 2019

O sangue que corre nas minhas veias


Cuidado!
É o que vão dizer,
Disseram,
Ainda é dito:
Perigo.

Cuidado,
Sai dessa!

Tranquilo!
Já me conformei com o aviso,
Estou vacinado e fui circunscrito

Ao sangue que corre nas minhas veias,
À sina que se fez escrita,
Aos dias contados que, supõe-se,
Delimitam os traços da minha vida

Cuidado!
Tranquilo!
Cuidado!
Tranquilo!
Olá! Adeus!

Disseram:
- É dito! –
Fez-se sina de morte em vida,
Companhia maldita,
Viram-se os olhos, erguem-se as sobrancelhas:
Cuidado!
Coitado!
Fez-se resultado em vida da sina de todo viado:
Companhia maldita,
Justiça divina

- Cuidado!
Mas antes...
- Perigo!
... me ouça:
- Cuidado!
Sou mais do que...
- Sai dessa!
... o sangue que corre em minhas veias

Nem coitado,
Nem maldito,
Sem “Cuidado!”,
Deixa disso:
Não há perigo
Tem desmedido o seu receio
O sangue que corre em minhas veias



Só irá penetrar de um jeito:
Fazendo gozar pra fora, esporrar, leitar
O excesso do seu preconceito

Cuidado!
É o que vou dizer,
Já disse,
Ainda digo:
Perigo!

Cuidado!
Sai dessa!

Tranquilo!
Num mundo sem sangue exposto,
Um pensamento tão rústico
Só tem um destino:
Deposto,
Extinto.

Está com seus dias contados,
Cuidado!