Sem mais armas, tanques de guerra e ameaças de bombas
atômicas: a guerra agora é no plano ideológico. Vivemos em um mundo de livre
expressão e eu posso criticar o que eu quiser na hora que eu quiser, onde eu
quiser dentro dos meus limites. Paradoxo, mas não se engane: o ser humano não
foi feito para ter uma liberdade sem limites. Os limites foram feitos para
impedir com que o nosso instinto animal tome as rédeas e nos controle. Como se
isso adiantasse... O instinto ainda está aí. Mais forte do que nunca, mas ainda
está aí. Gostamos de acreditar que somos uma raça superior, somos bons e
estamos cada vez mais progredindo, evoluindo. O instinto ainda está aí. Ainda
não conseguimos deixar de odiar nossos inimigos e amar somente quem nos ama e
às vezes uns “idiotas” que não sabem o que estão perdendo deixando de nos amar.
Ainda não deixamos de lado o orgulho, a luxúria, a gula e todo o resto dos sete
pecados capitais. Ainda não conseguimos deixar de ter escala social, classe A,
B e C. Ainda não conseguimos perceber que somos semelhantes. Somos animais,
movidos pelo instinto de sobrevivência que age de acordo com as novas regras
que o mundo nos dita. As regras podem mudar, a “evolução” ditar novas regras,
mas o instinto continua aí.
Quebramos tabus, destruímos ditaduras, combatemos injustiças
e criamos a Declaração dos Direitos Humanos. Nem tudo está perdido. Ao que
parece deixamos de ter escravos, as mulheres tem os mesmos direitos que os
homens, a cor de pele não influencia mais em como julgamos o caráter de alguém.
Hitler morreu, as duas Grandes Guerras já se passaram, o muro de Berlim foi
derrubado, o socialismo praticamente dizimado. A ONU luta pela paz mundial, os
homossexuais pregam o amor e o respeito em Paradas Gays que acontecem com toda
a “decência” por todo o mundo. Talvez ainda haja solução.

