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8 de janeiro de 2013

Rotina do nosso amor


Eu amo você todo santo dia
E eu te amo também nos dias de rotina.
Segunda, de manhãzinha, você é o meu primeiro pensamento,
“Eu te amo”, é o que eu me lembro.
E, no decorrer do dia, tudo me lembra você
O que eu posso fazer?
E, todo santo dia, a gente se vê.

Na terça-feira ainda sou seu
Revivo novamente tudo que entre nós aconteceu
A saudade começa a me sufocar
E, toda noite, tenho de suportar.
Na quarta, hesito em te procurar
Chorando, na noite de quinta, desisto de te amar.

Ainda sou seu na sexta-feira
No sábado deixo de ser besta.
Eu me entrego e você me ouve
E, no domingo de manhã, o seu amor me consome.
O ciclo nunca termina, apenas se modifica
E eu continuo te amando
Todo santo dia.
23 de dezembro de 2012

Sem inspiração



Começa assim:
O poeta perde o motivo de sua inspiração
E então... Perde-se também a canção
E suas poesias tornam-se pobres em rimas,
Menos sonoras tornam-se, também, as melodias.

No começo do fim, tudo se torna escuro
O mundo do poeta desaba em cada ínfimo segundo.
Ele pensa: “Não há razão pra se viver,
O melhor a se fazer é morrer!”

Poeta é cancioneiro,
Depósito de sentimento.
E a canção transborda por sobre o poeta
E o que ele não sente, ele exagera.
Poeta precisa transbordar no papel sua poesia
E assim, ele não exagera o que verdadeiramente sentia.

Termina assim:
O poeta escreva uma poesia
Transborda no papel toda a sua agonia,
E então ele vê, claro como água,
A inspiração onde é que se encontrava,
De onde ele tirava a sua canção:
Não do muso de sua inspiração, mas do infinito de seu coração!
22 de dezembro de 2012

Palavras traquinas


Brinco com as palavras
E elas me dão o poder de controlá-las.
Possuo intentos:
As palavras são meus instrumentos.
Trago palavras dentro de palavras,
Em meio a outras...
Palavras.
É meu intento espalhá-las.

Eu não quero deturpar,
Não é meu intuito bagunçar,
Nem criar intriga.
Faço troças infantis com minhas palavras amigas,
Crio frases traquinas,
Arranjo versos espertos.
Os temas é que são controversos.
A culpa não é nossa!

As palavras também são adultas
Quando estão limpas, lavadas e enxutas.
Comportadas, fingem seguir a moral
Não fazem bagunça.
Seguem a lei, a rotina,
E só são perversas quando é extinta a luz do dia.
No claro, são mulheres
No escuro, podem ser meninas.

Minhas palavras também podem ser adolescentes,
Aborrecidas, temperamentais e rebeldes.
Curtem o som de uma música,
Deliciam-se com uma poesia,
Matam e morrem por um amor.

Palavras fingidas,
Descomprometidas.
Plásticas,
Elásticas,
Vetor de minha arte
Adaptando-se ao que manda a minha vontade


22 de novembro de 2012

Quero ser alguém


Quero ser alguém
O que ou quem eu não sei
São inúteis as perguntas
Permita-me a dúvida.

Quero ser alguém
Mas nem quem sou eu sei
E não mais tento
Já perdi a conta dos erros.

Quero ir
Não sei, porém, pra onde devo seguir
Nem sei quem sou
Como ouso querer saber pra onde vou?

Quero certezas
Entretanto incerta é a minha natureza
Não sei o que quero ser
E me resigno a não entender.

Acho que sou um enigma
Que a mim já não mais intriga
Quero ser alguém
Essa é a minha única certeza minha.