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23 de maio de 2019

Silêncios




Há tempos perdi a sutileza,
há tempos perdi a perícia
das palavras tecer a proeza
de captar quem o coração cativa

O desejo é o meu maior obstáculo:
a sua boca faz dele o meu susserano,
o seu corpo faz de mim dele vassalo.
Ver-te nu, em pelo, o desejo diz, sussurrando,
E meu desejo de saciar o desejo... eis aqui agora um escravo

Perco as palavras,
Troco as sílabas,
Erro as letras,
Confundo as rimas,
Sofro de silêncios,
Eu, logo eu, cantor sem fim de poesias

Há tempos - há de se dizer porém -
que o amor me virou o rosto,
revirado em desgosto,
não me dá um vintém.
Há tempos, eu assumo:
não amo ninguém.
E, assim sisudo,
de tempos em tempos,
sem por que, nem por quem
de morrer de amores procuro,
faz-se a semente,
cai-se o fruto,
não tão verde, tampouco maduro,
Pode-se dizer,
Qualquer um argumentar,
Por que lágrimas por palavras
sem fé delas o amor despertar?


24 de abril de 2016

Conversas




"Odeio conversa fiada. Quero falar sobre átomos, morte, alienígenas, sexo, magia, intelecto, o sentido da vida, galáxias distantes, as mentiras que contamos, nossos defeitos, os aromas favoritos, a infância, o que te deixa acordado à noite, suas inseguranças e medos... Eu gosto de pessoas com profundidade, que falam com a emoção de uma mente curiosa. Não quero saber do "e aí?" "
23 de dezembro de 2012

Sem inspiração



Começa assim:
O poeta perde o motivo de sua inspiração
E então... Perde-se também a canção
E suas poesias tornam-se pobres em rimas,
Menos sonoras tornam-se, também, as melodias.

No começo do fim, tudo se torna escuro
O mundo do poeta desaba em cada ínfimo segundo.
Ele pensa: “Não há razão pra se viver,
O melhor a se fazer é morrer!”

Poeta é cancioneiro,
Depósito de sentimento.
E a canção transborda por sobre o poeta
E o que ele não sente, ele exagera.
Poeta precisa transbordar no papel sua poesia
E assim, ele não exagera o que verdadeiramente sentia.

Termina assim:
O poeta escreva uma poesia
Transborda no papel toda a sua agonia,
E então ele vê, claro como água,
A inspiração onde é que se encontrava,
De onde ele tirava a sua canção:
Não do muso de sua inspiração, mas do infinito de seu coração!
22 de dezembro de 2012

Palavras traquinas


Brinco com as palavras
E elas me dão o poder de controlá-las.
Possuo intentos:
As palavras são meus instrumentos.
Trago palavras dentro de palavras,
Em meio a outras...
Palavras.
É meu intento espalhá-las.

Eu não quero deturpar,
Não é meu intuito bagunçar,
Nem criar intriga.
Faço troças infantis com minhas palavras amigas,
Crio frases traquinas,
Arranjo versos espertos.
Os temas é que são controversos.
A culpa não é nossa!

As palavras também são adultas
Quando estão limpas, lavadas e enxutas.
Comportadas, fingem seguir a moral
Não fazem bagunça.
Seguem a lei, a rotina,
E só são perversas quando é extinta a luz do dia.
No claro, são mulheres
No escuro, podem ser meninas.

Minhas palavras também podem ser adolescentes,
Aborrecidas, temperamentais e rebeldes.
Curtem o som de uma música,
Deliciam-se com uma poesia,
Matam e morrem por um amor.

Palavras fingidas,
Descomprometidas.
Plásticas,
Elásticas,
Vetor de minha arte
Adaptando-se ao que manda a minha vontade


16 de dezembro de 2012

Palavras não ditas


Little Kiss by *Cris-Art : http://cris-art.deviantart.com/gallery/#/d5o9vlh




De todas as palavras que houve entre nós
As que você mais deveria temer
São aquelas que eu não ousei dizer.
“Eu te odeio”,
“Não te amo” e “Não preciso de você!”.

Você não deveria temer
As condenações que ousei fazer.
As mais cruéis foram as que eu engoli.
“Você é um mentiroso”,
“Nem sequer gosta de mim!”.

As minhas dúvidas sempre foram mais desumanas
Que as minhas certezas declaradas.
Eu sempre duvidei de você e do seu amor,
Mas nunca ousei dizer o que sentia
Mesmo que sutilmente eu já o dizia.

Você não deveria temer o meu ódio
E sim o que chamo de amor...


12 de outubro de 2012

inJUSTIÇA ?


Eu quero
Eu vou falar
Doa a quem doer
Não me importo em machucar.
Tenho o direito de me manifestar.

Eu falo, machuco e não me arrependo
Se discordar eu te agrido
Não aceito contra-argumento.

Tenho e defendo uma opinião
Porém não aceito intromissão
Não aceito discordância
Tenho o direito de me manifestar
E a ira me dá o direito de te machucar
Se você discordar,
Contra-argumentar,
Não aceitar.

Eu tenho o direito de me manifestar
Quem mandou discordar?
Quem mandou responder?
Quem mandou falar?
Até o fim vou defender a minha opinião,
Com garras e unhas,
Se for preciso com armas.
É óbvio que isso se justifica
Quem mandou comprar briga?

Falta de educação é discordar
Pois eu tenho o direito a me manifestar!


6 de setembro de 2012

Eu Sou Mais Um Poeta



Pedro Pádua:
Me atiro na lua deserta.
Vago no seio da Terra.
Eu sou mais um poeta.

Jovem Poeta:
Da lua eu vim,
E a minha volta à lua é certa.
Eu sou mais um poeta.

Pedro Pádua:
Cansado de andar em uma esteira estragada.
Gastando sola do meu sapato de cor amarela.
Eu sou mais um poeta.

Jovem Poeta:
 Cansado de andar atrás de amor
Sem mapa, sem estrada, sem seta.
Sim, eu sou mais um poeta.

Pedro Pádua:
Às vezes, corro contra a corrida.
Me desabo na decida, da ladeira mau cuidada.
Sem dó, nem piedade,
Arranco todos os dentes dos covardes.
Como faz um sádico e um psicopata.
Não tenho sangue frio, nem provoco calafrios.
Sou apenas mais um poeta.

Jovem Poeta:
Vivo sufocado.
Sou um psicopata sentimental,
Sou um sádico que não busca o mal.
Vivo em meio à minhas águas turbulentas,
Inconstantes,
Apaixonantes
E inquietas.
Sou apenas mais um poeta.

Pedro Pádua:
Subo as escadas do meu passado sombrio.
Vejo uma mulher morrendo de lepra.
Sou mais um poeta.

Jovem Poeta:
Desço as escadas do meu presente entediante
E resolvo seguir uma estrada incerta.
Sou mais um poeta.

Pedro Pádua:
Palavras marcantes eu sei escrever.
Coisas vazias, eu tenho a dizer.
Eu sou mais um poeta.

Jovem Poeta:
Sentimentos eu sei descrever.
Lágrimas que choro viram palavras.
Eu sou mais um poeta.

Pedro Pádua:
Às vezes, na escuridão, encontro a luz.
Corro pra cama e me escondo, embaixo da coberta.
Eu sou mais um poeta.

Me abrigo na cama daquela.
Que um dia rejeitou o poeta.
Que escreveu coisas lindas para a agradar.

Jovem Poeta:
Por vezes me sinto sozinho.
Busco, então, um pouco de carinho.
Eu sou mais um poeta.

Faço pacto com o diabo
E durmo no quarto
Daquele que rejeitou minhas lágrimas em versos.

Pedro Pádua:
Agora, não quero nem saber.
Vou escrever e escrever.
Sem medo de morrer.
Ou do dia amanhecer.
Pois, sou apenas mais um poeta .
Que você acabou de conhecer.

Jovem Poeta:
E nessa estrada solitária.
Na poesia escrita por lágrimas
Deixo a minha marginalidade.
Busco a verdade, sem medo
Mas também guardo segredos.
Sou apenas mais um poeta
Porém acompanhado do seu marginal companheiro!

26 de julho de 2012

Feliz Dia Do Escritor (Atrasado)

Atrasado, mas acho que o que vale é a intenção.

Ontem, dia 25 de julho, foi dia do Escritor. O dia de todos aqueles que dedicam parte do seu tempo para espalhar as suas palavras para o mundo, seja através de livros, através de cartas, através de blogs. O que vale é a intenção de transmitir a emoção, o conhecimento, o seu ponto de vista, a sua impressão sobre o mundo. O que vale é a intenção de transmitir os seus sentimentos, as suas lutas, as suas vitórias.

Hoje gostaria de compartilhar contigo um pouco da vida do Jovem Poeta, para que vocês entendam um pouco mais sobre o que é a escrita para mim. Há alguns anos atrás eu era uma criança introvertida. Não que agora eu seja um adolescente extrovertido, mas pra mim era muito difícil o contato com outras pessoas. A minha timidez era muito, muito grande e escrever era um refúgio para mim. Através da escrita eu podia compartilhar os meus medos, os meus sentimentos, os meus segredos. Eu sempre mantive diários, nos quais eu escrevia sobre tudo que me afligia e também sobre todos os meus sonhos. Eu não tinha muitos amigos, não compartilhava muito as minhas coisas. Como muitos já devem ter percebido, o Jovem Poeta é um garoto que gosta de outros garotos. Isso sempre foi um peso para mim e eu rezava todos os dias para que Deus fizesse com que eu me tornasse um garoto "normal", que gostasse de garotas. Mas Deus nunca atendia o meu pedido... Eu nunca escrevia sobre essa minha aflição. Eu não ousava nem sequer tocar na palavra "gay", muito menos escrevê-la em algum papel, que alguém poderia ler.

Levou muito tempo para eu aceitar a minha orientação sexual. As minhas primeiras palavras sobre isso não foram com pessoas que eu conhecia. Eu conversava bastante com pessoas que eu conhecia pelos "bate papos" da vida e foi com elas que eu me abri. Eu fui vendo que existiam outras pessoas como eu e que algumas já não tinham mais tanto medo como eu tinha.

Resumindo a história, eu acabei me assumindo e hoje sou um garoto feliz e sadio com meu próprio eu. Acho que nunca comentei que o meu propósito, ao criar esse blog, era transmitir palavras pra todos aqueles como eu, garotos que amavam outros garotos. Os únicos sites voltados para eles eram sites pornográficos. E então eu comecei a escrever poesias de amor. Eu comecei a vivenciar o amor e começar a passá-lo para o papel. O blog é isso. As minhas palavras de superação, de amor, meu grito por igualdade.

E, hoje, eu gostaria de deixar uma mensagem para todos aqueles que escrevem: nunca desistam de suas palavras. Escrevam, compartilhem, aprimorem-se. Escrever vai muito além de apenas escrever. E quando você compartilha o que você escreve... É uma sensação indescritível. É uma sensação indescritível você ouvir as pessoas comentando sobre as coisas que você escreve. Isso, muitas vezes, é o que me move a seguir. As palavras que posso distribuir para as pessoas.


30 de abril de 2012

Aceitação


Vou escrever meus versos na realidade,
Vou conjugar meus verbos no dia-a-dia.
Serei eu mesmo, nu no concreto,
Falarei de amor nas ruas da cidade,
Unirei os casais num gesto de fraternidade.
Serei um poeta de verdade!

Inicio uma nova era,
A era do compartilhar!
Deixo de lado meu egoísmo,
Carrego meu irmão nos braços
E picho os muros da metrópole cosmopolita:
“Compartilhar é a minha nova poesia”.

Acolho as palavras que não foram aceitas,
Construo frases com os verbos rejeitados,
Abrigo em meus versos a realidade das palavras “feias”
E construo uma nova canção.

Não são necessárias as rimas constantes
Ou a simetria de um soneto
Eu também compartilho o que é tido como feio
Eu não rejeito,
Compartilhar é o que cantam as minhas poesias
E aceitação é o que você pode ler nessas linhas oblíquas.