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26 de julho de 2014

A dança da sereia

Eu a vi dançando e, instantaneamente, fiquei de pau duro. Ela rodava, girava, balançava os seus longos cabelos e rodopiava o seu vestido vermelho. Seu corpo tinha as curvas mais simétricas que eu já havia visto em minha vida. Sua bunda e seus seios empinados marcavam o seu vestido e enchiam os meus olhos. Eu babava, em cima e embaixo. Ela percebeu o meu olhar insistente e grudou os seus grandes olhos de jabuticaba nos meus. Sorriu maliciosamente. Segurou a sua saia e maneirou no vai e vem. Eu me senti constrangido. Um mulherão daqueles deixa qualquer macho de quatro. Ela sacou o meu constrangimento e parou de dançar. Como uma deusa, uma musa, aquela mulher maravilhosa se aproximou. Passo a passo. Seu corpo remexia, suas coxas quebrando num vai e vem gostoso, os seios, que seios!, balançando suavemente. Eu imaginei aquela mulher na minha cama e me lembrei do meu “parceiro”, animadinho demais na minha calça. Tentei disfarçar. Ela se aproximou e me puxou pelas mãos. Eu dançar? Ela estava louca. Mas mais louco estava eu por ela. Mesmo sem jeito eu topei. Ela colou seu corpo ao meu e, naquele momento, acho que tive um orgasmo. Fui ao céu e voltei. Ela sabia que estava me deixando completamente maluco. Ela pegou as minhas mãos e as colocou na sua cintura. Começou a rebolar. Loucamente. Lentamente. Deliciosamente. Seus olhos de jabuticaba estavam colados aos meus. Sua boca, contornada por um provocante batom vermelho, esboçava um sorriso de satisfação. Ela sacou o meu desajeito e maneirou na condução. Eu comecei a requebrar. Segui seus passos. Girei. Rodopiei. Rodopiamos. Giramos. Eu a beijei. Ela me beijou. Nós nos beijamos. Loucamente. Lentamente. Deliciosamente. Passeei por todo o seu corpo com as minhas mãos nessa dança louca e então eu descobri...

Eu dançava, linda e rica. Leve e solta. Femininamente livre. Rodava, girava, balançava os meus cabelos e rodopiava com meu vestido vermelho preferido. Estava cansada dos olhares dúbios e das risadas mal disfarçadas. Todos me olhavam, mas nenhum me interessava. Até eu vê-lo. Seus olhos seguiam o meu rodopiar com ávido interesse. Mal conseguia esconder o seu tesão. O volume em sua calça se destacava. Os seus lindos olhos verdes contrastavam com a sua pose de babão. Sorri. Segurei a minha saia e maneirei no vai e vem. Um bofe daqueles, alto, sarado, barba a fazer e olhos verdes? Não há mulher que se aguente! Ele estava visivelmente constrangido. Hesitei. Parei. Seus olhos me chamavam. Seus braços fortes, o seu grande peitoral e o maravilhoso abdômen definido marcavam a sua camisa branca e as suas pernas grossas aumentavam o volume, que volume!, em sua calça. Eu me imaginei em cima daquele homem, tendo-o somente para mim. Caminhei vagarosamente e os seus lindos olhos verdes acompanhavam cada movimento meu. Eu o puxei pelas mãos e colei seu corpo ao meu. Senti todo o “impacto” e tive múltiplos orgasmos. Fui ao céu e voltei. Ele estava louco por mim e eu louca por ele. Peguei as suas mãos e as coloquei em minha cintura, com uma grande esperança de que ele se comportasse bem e não estragasse aquela noite, colocando-as onde não devia. Eu comecei a rebolar. Loucamente. Lentamente. Deliciosamente. Seus olhos verdes estavam colados aos meus. Seu rosto ainda estava com a mesma expressão de satisfação misturada à perplexidade. Ele estava desajeitado. Eu maneirei na condução. Ele me surpreendeu requebrando. Seguiu meus passos. Girou. Rodopiou. Rodopiamos. Giramos. Ele me beijou. Eu o beijei. Nós nos beijamos. Loucamente. Lentamente. Deliciosamente. Mas, ele resolveu passear em meu corpo com as mãos e então ele descobriu...

... Um volume em seu vestido! Aquela mulher maravilhosa era um homem. Percebi que todos me olhavam. Todos já sabiam! Seus olhos de jabuticaba me olhavam com ternura e receio. Seu corpo desfez o laço que, minutos antes, me deixou louco. Ela se virou. E eu escutava a música ao fundo. E eu percebia os olhares mal disfarçados e as risadas de canto de boca. E eu continuava hipnotizado pela sua bunda, que, apesar dos pesares, insistia em rebolar dentro daquele vestido vermelho. Cada passo que ela dava, parecia que a minha perna sucumbia de agonia. O meu corpo queria o seu. Ela sacou a minha indecisão e estacionou. Involuntariamente, dei um passo. E a música ao fundo. E os olhares mal disfarçados e as bocas paradas: um clima geral de apreensão. E a minha contínua hipnose por seu corpo rebolativo. Perdi as esperanças de um final racional. Voluntariamente, a minha mão pegou a dela. A sua mão. A mão da minha mulher maravilhosa. E a música ao fundo. Ela apertou a minha mão e rodopiou de volta para os meus braços. Eu a apertei. Todo o meu corpo tremia de excitação e ansiedade. Nós nos encaixávamos perfeitamente. E, surpreso, percebi minha perna rodando. Girando. Rodopiando. E ela me seguiu, a minha deusa dos olhos de jabuticaba e dos longos cabelos negros. Girando. Rodopiando. Sendo guiada pelos meus passos, já não mais inseguros. Dançamos. Loucamente. Lentamente. Deliciosamente. Apaixonadamente. E a música ao fundo. E os olhares escancarados e as bocas escandalosamente abertas de espanto. Sorrimos como dois doidos. Ela colocou a mão onde eu desejava e eu não me importei nenhum pouco em colocar a minha onde não devia.


4 de fevereiro de 2013

Eu não sou daqui


Eu não sou daqui
De outro planeta,
De outra galáxia, talvez.
Sou estrangeiro aqui
E, às vezes, tenho esses sentimentos.
Sinto-me diferente...

Eu não sou daqui,
Não sigo as regras deste lugar.
Ousei amar
E sentir.
Eu me feri e já feri
Não consegui me encaixar
Já chorei e já fiz chorar
Já sonhei e já fiz alguém sonhar.
Eu sou assim
Não sou daqui.

Às vezes tenho esses sentimentos
Quero voltar
Para o meu lar!
Onde todos os finais são felizes,
Onde o amor é verdadeiro.
Sou um estrangeiro nesse lugar,
 Um peregrino nesse lugar.

Eu não sou daqui
E, às vezes, eu tenho esses sentimentos
Fazer daqui um lugar melhor
Amar e levar amor
Fazer com que todos os finais sejam felizes
Se eu não sou sonhador, sou um forasteiro triste.
Eu sou assim,
Eu não sou daqui
E as pessoas me amavam do jeito que eu sou no lugar de onde eu vim...


14 de novembro de 2012

Minha diferença



 Eu não posso mais fingir
Sou assim!
Não o que exigem de mim.

Não posso ser o que não sou,
Réplica de tudo que antes já se criou,
Caricatura barata do politicamente correto.
Sou diferente e não nego,
Não me escondo,
Não mais me envergonho.

Não sou perfeito,
Tudo tem seu defeito
Mas não é defeito ser diferente
Quando o igual não se faz coerente
Com o que verdadeiramente se é.

Sou o que sou,
Nem tão igual,
Nem tão diferente assim.
Coerente com o que sinto dentro de mim
Incoerente com o que eu fingia sentir.
Não exijo que me aceitem,
Mas lutarei até a morte para que me respeitem.
27 de setembro de 2012

Entre Lobos - Parte II




Sim, ele nos tinha em suas mãos. Foi o que eu pensei na hora. Eu estava apreensivo. Como o Gabriel podia ter sido tão imprudente? A biblioteca só abre durante o dia. A biblioteca muitas vezes foi o nosso refúgio. Foi na biblioteca onde tudo começou. Foi nos primeiros dias, naqueles terríveis dias de novato. Eu estava nervoso. Eu andava tropeçando nos meus próprios pés. A biblioteca era o meu refúgio, por ser o único lugar do colégio onde os funcionários fazem vista grossa diante de badernas.
                Não sei se vocês sabem, mas Gabriel é um nome de anjo. E Gabriel parecia mesmo um anjo. Ele tinha os cabelos loiros e os olhos azuis, maravilhosamente azuis. Tão maravilhosamente perfeito. E eu ficava o observando, só para achar algum defeito. Ele ia à biblioteca. Tinha preferência pelos livros policiais. “Gosta de mistérios”, era o que eu pensava. E então eu fui me tornando um mistério, só para que ele gostasse mais de mim. Mas eu não precisava fazer muita força para ser misterioso. Ninguém me notava, aliás. Eu era o menino novato tímido que se escondia atrás dos livros. E o Gabriel era o menino perfeito, com aparência de anjo, que todos os lobos desse colégio desejavam. Mas ele não se entregava para ninguém. “É mesmo um anjo!”.
                Bem, talvez eu tenha sido um pouco exagerado ao dizer que ninguém me notava. Havia o João. No começo ele era diferente. Ele era um cara legal. Foi meu amigo durante muito tempo. Ele fazia tudo por mim, tudo mesmo. Era um grande amigo. Então eu resolvi contar sobre o Gabriel, sobre os meus sentimentos por ele. Ele ficou estranho. “O amor é uma coisa traiçoeira. Não se apaixone por esse menino!”, disse ele, com um olhar esquisito. Parecia irado. Eu fiquei me perguntando porque tinha tanto ódio do amor. Com o tempo ele foi se afastando de mim. Antes os grupos eram desorganizados, mas ele acabou se tornando um líder. Todos do grupo olhavam uns aos outros fixamente, com olhares de lobo. Pareciam que queriam devorar todos. E eles queriam devorar, literalmente. Começaram a criar as suas próprias regras. Foi mais ou menos nessa época que o Rodrigo e o Marcelo foram punidos por se amarem. João foi quem os denunciou. Ele não era o garoto que eu havia conhecido. Talvez nunca tivesse sido.
                Um dia o Gabriel me notou. Olhou para mim enquanto eu estava lendo um livro. E sorriu. Um sorriso perfeito. Todos os dentes perfeitamente alinhados, maravilhosamente brancos. Eu comecei a amá-lo nesse momento. E achei que ele também havia começado a me amar. E eu estava certo, como vim a saber depois. Eu sorri também. 
                Depois disso começamos a nos encontrar bastante na biblioteca. Na estante de livros policiais foi o nosso primeiro beijo. Era o nosso crime. O nosso crime perfeito. E também era o nosso segredo.
                - Ninguém pode saber que a gente se ama, Artur. Esse é o nosso segredo.
                Eu, por nada nesse mundo iria revelá-lo. Foi o que eu prometi pra mim mesmo.
                A gente se encontrava sempre no meu quarto. Éramos extremamente cautelosos e só nos encontrávamos nas noites em que a matilha se reunia. A matilha foi o apelido que eu dei para aquele grupo de lobos. Eles continuavam a me olhar com olhos de lobos quando eu resolvi deixar de ser o garoto que se escondia na biblioteca. A diferença é que agora eu era mais desejado. Eu andava com tanta segurança e havia adquirido tanta firmeza que eles estranharam. Tenho certeza que eles pensavam que eu escondia algo. E eles não estavam errados. “Ninguém pode saber que a gente se ama, Artur. Esse é o nosso segredo”.
                Mas, em uma noite de Lua Cheia, Gabriel foi imprudente e nos entregou. Ficamos nas mãos do João. E, desde esse dia, nossa vida no colégio se tornou um inferno.
                A primeira coisa que João exigiu foi que Gabriel se entregasse pra ele. Além disso, eu teria que observar a cena. Achei que era a pior noite da minha vida. Ter de assistir o meu amante sendo possuído por outro. E João não era nem um pouco sutil e carinhoso. Ele não passava de um brutamonte. Eu tive de me controlar para não avançar pra cima dele e enchê-lo de socos. Porém, tudo que eu fiz foi assistir a cena, em lágrimas. Eu pensei que essa tinha sido a pior noite da minha vida. Eu mal sabia como seriam as outras...
                Depois João exigiu que nós dois fizéssemos sexo em sua frente. Eu quase o soquei ao ouvir essa proposta. Isso era demais. “Mas nós temos de fazer, Artur. Não temos outra opção”. Estávamos sendo covardes. Não estávamos lutando por nosso amor, pelo nosso direito de amarmos quem quisermos. Só porque uma matilha não sabia o que era amar e ser amado, nós devíamos ser privados do amor? Não, isso não era certo. Mas eu me lembrava do Rodrigo e do Marcelo. Todas as noites eu me lembrava dos olhos roxos, os hematomas, o braço quebrado. Todos zombando de algum dos dois quando passavam. E o silêncio dos professores e demais funcionários. Isso era o que mais me matava. Eles poderiam pedir aos pais para sair do colégio, mas o que iriam dizer? Qual seria a desculpa para saírem? A verdade não poderia ser dita. Eu pensava em tudo isso. “É, realmente não temos opção”, eu concordava.
                E nós nos entregamos diante do João. E ele nos olhava. Aqueles olhos de lobo, insaciáveis. Aquele olhar sádico, depravado. Gabriel não aguentou. Ele me abraçava, chorando. Mas éramos obrigados a continuar, João o exigia.
                E as exigências continuavam. Tivemos de entrar para a matilha, participar de suas orgias, beijarmos aquelas bocas sedentas por luxúria, nos entregarmos àqueles garotos sedentos por um pedaço de carne. E era isso que eu me sentia. Um pedaço de carne. Sem coração, sem sentimento, sem emoção. Será que eles não sentiam isso? Que não passavam de um pedaço de carne sendo usada? Era o que eu me perguntava quando estava lá. E eu me surpreendia por conseguir pensar, por ainda conseguir pensar. Sem dúvidas, essas foram as piores noites da minha vida.
                
26 de setembro de 2012

Entre Lobos - Parte I



 Aparentemente eu sou um cara normal. Minha aparência não é das piores, aliás. Sou o típico “garoto perfeito”, ou seja, cabelos loiros, olhos azuis e corpo escultural. É, não posso reclamar do que vejo no espelho.
Eu sou desejado pela maioria das pessoas do meu colégio. Gostaria de observar que estudo em um colégio onde só estudam garotos. Não se estranhe, aqui é como uma prisão. Muitos destes garotos vão namorar garotas quando saírem daqui. Muitos, não todos...
MEU SEGREDO Nº 01: EU REALMENTE GOSTO DE GAROTOS.
As coisas por aqui são bem definidas. A maioria dos garotos não quer perder sua masculinidade, por isso a maioria não pratica o sexo propriamente dito. Preferem apenas as preliminares. Acaba com o stress, relaxa, goza. Porém o sexo propriamente dito, com penetração, não é tão comum. Não são todos que o praticam frequentemente.
MEU SEGREDO Nº 02: EU PRATICO SEXO FREQUENTEMENTE.
Os garotos que praticam sexo frequentemente geralmente montam um grupo. Nesse grupo nada é definido. Todos fazem de tudo. No meio da noite, nos dormitórios onde eles se encontram, é um bacanal de orifícios, mãos e bocas. E gemidos. Muitos gemidos. Os gemidos são como uivos de lobos. Mais e mais vão se juntando à “matilha”.
Monogamia não é o comum nesse colégio. Seguem-se os princípios de igualdade e fraternidade. Todos devem se dividir mutuamente. A monogamia é vista como egoísmo. Mas, o que ninguém sabe, é que eu abomino essas práticas de promiscuidade.
MEU SEGREDO Nº 03: EU TENHO UM AMANTE
                O nome dele é Artur. É o meu cavaleiro. Ou melhor, o meu cavalheiro. Nesse colégio de brutos e mal educados ele é um verdadeiro gentleman. Artur é o meu porto seguro. Pode parecer estranho dizer que o fato de estarmos juntos há tempos é perigoso. Mas é a verdade. É arriscado ser fiel a alguém por aqui. Mas ele me faz bem, extremamente bem e o nosso amor é o nosso segredo.

*    *    *
               
Hoje é uma noite especial. Noite de Lua Cheia. É impressionante como ela afeta Artur. Ele fica extremamente carinhoso e sedutor nessas noites.
                Caminho para o seu quarto e escuto os gemidos nos outros quartos. Parecem lobos. Fico me perguntando se os funcionários não escutam ou se fingem que não escutam. Os gemidos aumentam. É, acho que é a segunda opção.
                Ando distraído e esbarro com o João. A propósito, acho que não falei sobre o João. Digamos que ele seja “o líder da matilha”. Um garoto bruto e mal educado, extremamente malicioso e satírico. Sente prazer em humilhar as pessoas e ficar fazendo trocadilhos sujos. Ah, e ele me persegue. Não só a mim, obviamente. Ele é um caçador. Gosta de carne fresca e intocada. É o meu caso. Pelo menos é o que todos do colégio pensam...
                - Olá! – ele me cumprimenta, com um sorriso malicioso. – Andando por aí a essas horas? Eu poderia pensar que você está indo encontrar com alguém escondido.
                Levo um pequeno susto. Será que ele sabe? Não, não é possível. Eu e o Artur somos extremamente cautelosos. Escolhemos os horários em que os garotos estão “ocupados” demais para nos espionar. Os gemidos denunciam que a matilha está reunida. O mais estranho é que o líder dela está aqui, na minha frente.
                - Que milagre é esse? O líder da ma... – começo a falar, mas detenho-me. A matilha foi um nome que o Artur deu àquele grupo estranho, mas eles não iriam gostar nem um pouco do apelido. – O líder do grupo andando por aí, quando já estão todos reunidos.
                 - Estou procurando novos integrantes. Seria uma honra se você se juntasse a nós. Você sabe como eu aprecio o seu corpo. – disse ele, me olhando de tal maneira que fiquei envergonhado.
                - Esta não é a primeira vez que tenho a honra de receber tal convite. Mas eu sempre recuso.
                - Isso é o mais estranho...
                Ele ficou me olhando, esperando uma resposta. Ele está desconfiado de alguma coisa, isso eu sei. Talvez esteja me espionando ou coisa do tipo. Vindo do João não duvido de nada. Era preciso cautela redobrada.
                Infelizmente acho que hoje era a minha noite de sorte. Artur aparece no corredor e vem ao nosso encontro. Pela sua expressão, me parece estar surpreso. Mas também parece estar um pouco enraivecido. Será ciúme?
                - Ora, ora. Se não é o nosso cavaleiro Artur. – diz João, com o seu sorriso sarcástico. – Cavaleiros da Távola Redonda, curvem-se aos pés de seu rei!
                Ele se ajoelha aos pés de Artur e depois se levanta, dando risadas.
                - Será que estou atrapalhando alguma coisa? Por acaso os dois estavam indo se encontrar?
                Eu olho para Artur, desesperado. Ele percebe minha apreensão. Sim, era o que eu temia. João estava desconfiado de alguma coisa. Eu pensei que o que ele sentia por mim era apenas um instinto de caçador. Eu era a presa que todos queriam, mas ninguém tinha. Se ele conseguisse conquistá-la ele ganharia mais pontos. Ele era um líder e líderes têm de prezar por sua reputação. Mas, agora, vendo ele de fora da matilha me espionando eu já não tinha certeza se eu era mesmo apenas um troféu a ser conquistado.
                - É óbvio que não, João. Eu estava indo ver a Lua Cheia. Amo noites de Lua Cheia. – foi Artur quem se defendeu primeiro.
                - E você? Onde estava indo? – perguntou João, olhando fixamente para mim.
                - Eu estava indo na biblioteca. Deixei o meu livro por lá.
                - Estranho... – disse ele, pensativo. – Pensei que a biblioteca só abria durante o dia. Mas talvez eu esteja enganado, não é mesmo Artur?
                Artur engoliu em seco. Eu havia me denunciado. Estávamos indefesos.
                - Não sei se vocês se lembram do Marcelo e do Rodrigo. Eles viviam juntos. Onde estava um, estava o outro. Os dois nunca aceitavam participar do nosso estimado grupo. Nós começamos a desconfiar que os dois eram bem mais do que apenas amigos... Resolvemos investigar. Um dia eu os encontrei se beijando no quarto do Rodrigo. Vocês se lembram do que aconteceu com eles?
                Eu me lembrava perfeitamente. No outro dia os dois estavam com os olhos roxos, o corpo cheio de hematomas. Rodrigo estava com o braço quebrado e o Marcelo nem conseguia abrir o olho. Nunca mais os dois foram vistos juntos.
                - Pelo olhar apreensivo de vocês, eu acredito que sim. Vocês dois são mais cuidadosos. Não andam juntos, não são vistos juntos. Mas, será coincidência que ambos rejeitam com veemência os nossos pedidos para se juntar ao grupo?
                Eu e o Artur nos olhamos. Percebemos o erro segundos depois. Estávamos sendo muito imprudentes. Era só inventar alguma desculpa. Mas nenhuma aparecia em minha mente. Acho que já era tarde demais.
                - Acho que agora vocês dois estão em minhas mãos...
                Sim, nós estávamos... Totalmente.

*    *    *
31 de julho de 2012

Esclarecimentos

Gostaria de esclarecer algumas coisas sobre a homossexualidade:

1. Homossexuais são promíscuos. 

Os homossexuais são promíscuos. Trocam de parceiro sexual assim como trocam de roupa. Alguns até são um pouco mais, digamos, gulosos e cometem esse pecado abominoso, o sexo, com mais de um parceiro. TODOS os heterossexuais são fiéis, têm apenas um parceiro fixo, de preferência um a vida toda, não fazem sexo a três, não sabem o que é sexo oral, nunca fizeram sexo em público e fazem sexo apenas para se reproduzir, sem o intuito de ter prazer, porque é o certo, segundo a Bíblia. Depois que se reproduzem, são ótimos pais. Não há notícias de haver, entre heterossexuais, pais jogando filhos no lixo, obrigando-os a se prostituir e nem explorando-os sexualmente.  

2. Homossexuais só querem sexo, não amam. 

Exatamente. Os homossexuais são seres que pensam em sexo do começo ao fim do dia. São o oposto dos heterossexuais, que, como eu disse, são parceiros fiéis, dedicados, não traem, não olham e nem desejam os parceiros alheios. Entre os heterossexuais não há um que fique com o outro apenas com o intuito de se satisfazer sexualmente. Os casos de violência doméstica, estupro, crimes passionais e outros, sinais evidentes da falta de amor, são inexistentes entre os heterossexuais.

3. Existem vários motivos pra que a proibição do casamento aos homossexuais na maior parte do mundo continue.

Claro! Como, por exemplo... Que Deus não concorda com essa pouca vergonha! Os homossexuais vão todos para o inferno. São todos um bando de sem vergonha, sem moral, vão acabar com a estrutura familiar heterossexual, tão estruturada, baseada nos bons costumes. Os heterossexuais, sem exceção, zelam pela estrutura familiar. Discordam totalmente (e não praticam!) da prática do divórcio, violência doméstica, dos maus tratos às crianças e adolescentes.

4. A homossexualidade é uma doença. 

Que a homossexualidade é uma doença todo mundo já sabe. Mas uma coisa que quase ninguém sabe é que a homossexualidade é uma doença transmissível. Por isso os homossexuais lutam tanto contra a homossexualidade. Têm medo de que essa doença se propague rapidamente. Não vê que o número de homossexuais vêm aumentando cada vez mais? Os heterossexuais protegem particularmente seus filhos. Proíbem totalmente o beijo gay na televisão porque ver isso é tiro e queda: se torna homossexual no mesmo segundo! Mas parece que os homossexuais são imunes aos efeitos da heterossexualidade, que é também uma epidemia (mas uma epidemia boa!). Mesmo vendo seus pais, familiares e amigos heterossexuais se beijando eles não se tornam heterossexuais. Já os heterossexuais estão cada vez mais imunes. Por isso é necessário exterminar os homossexuais para que os heterossexuais menos imunes à essa terrível doença não sejam infectados.

5. Homossexualidade é uma nova moda. 

A homossexualidade é propagandeada pela mídia. O estilo marginal de vida dos homossexuais é glorificado, dignificado e isso é extremamene prejudicial às nossas crianças e adolescentes. Elas veem as notícias de homossexuais sendo mortos, espancados, humilhados e, com seu espírito masoquista juvenil, têm um desejo imenso de sair por aí sendo espancadas, humilhadas e desrespeitadas. Algumas se tornam homossexuais por terem tendências suicidas. Alguns jovens, extremamente compassivos, veem os noticiários sobre alguns direitos recém-adquiridos pelos homossexuais e abdicam-se dos direitos que têm como heterossexuais para se tornarem homossexuais marginalizados e sem os mesmos direitos.

6. E, para concluir, estudos comprovam que homossexuais não são pessoas como as outras pessoas. 

Sim, é isso mesmo que você leu. Os homossexuais não são pessoas como os heterossexuais. Pra começar, como eu já disse, eles são doentes. Mas isso já é do conhecimento universal. Mas estudos científicos comprovam que eles também têm outras "particularidades". Homossexuais têm olhos, nariz, boca, orelhas, braços, pernas, órgãos sexuais. Nascem, crescem, envelhecem, morrem. Têm cinco sentidos: visão, tato, olfato, paladar e audição. Eles pensam, comunicam-se, interagem. Isso, por si só, já mostra que eles não são pessoas como as outras pessoas. Eles não merecem os mesmo direitos que os heterossexuais, já que estes não têm essas "anormalidades".


23 de julho de 2012

Segue a estrada


Aqui, no escuro da noite, o desafio é fácil.
Na luz do dia pode ser que eu tropece, mas eu irei conseguir!
Aqui, onde há tanta proteção, não costumo tremer.
Talvez, lá fora, meu corpo sofra espasmos, mas eu não vou desistir!
Aqui, onde sou tão amado, a insegurança não tem porque me assaltar.
Mas o mundo é frio e nem sempre serei acolhido,
E, mesmo assim, ainda terei a mim,
Eu vou conseguir, não irei desistir!

Porque acaba de nascer uma esperança
E ela precisa ser acesa, dia após dia
Para que não seja apagada.
Segue a sina, segue a sina,
Porque acaba de nascer uma estrada para ser seguida.