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3 de abril de 2017

Pequenas carências



Estar bem comigo mesmo não me exime de sentir falta. Eu sinto, sem vergonha de assumir.

Eu sinto falta... de receber uma mensagem de bom dia, andar de mãos dadas, deitar no peito de quem eu amo e ouvir seu coração bater. Essas coisas simples. Sinto falta até de coisas que há tempos não tenho: alguém que me abrace, me ame, pegue na minha mão e diga “tá tudo bem”, quando eu sei que não está. Nós dois sabemos, mas um abraço, um beijo e um pedaço de melancia podem fazer o mundo parar de girar por alguns minutos.

Sinto falta de tirar a capa de “nada me atinge”, dormir de conchinha e alguém que sorria ao receber uma mensagem minha. E pare o que estiver fazendo por alguns segundos para garantir que eu sei do sorriso, pela resposta rápida.

Alguém que me encaixe nos cinco minutos da sua agenda lotada de terça-feira. E diga eu te amo com orgulho, tão bêbado que, mesmo eu não bebendo, me embriague com seu hálito, na sexta-feira ou quem sabe mesmo no sábado.

Não é preciso muito para eu me apaixonar: sinto falta de alguém pegar as minhas mãos e sair andando por aí. A caminhada é mais importante que o destino. Ser o cara que eu tenho orgulho de chamar para um feijão tropeiro com a família e que minhas amizades assumam, talvez a contragosto, que é a pessoa certa pra mim.

Eu realmente sinto falta, alguns dias mais que outros e em uns, com tanta força que parece que me falta um dente.

Enamorar pelos seus defeitos e amá-lo após as brigas. E não ter medo de perder quem a gente ama.

Sinto falta dos abraços de urso, beijos de halls de menta, a preguiça dos domingos e os casacos dele que ficam melhores em mim do que nele.

Quando eu penso nesses momentos não me vem um rosto a mente, mas sinto falta de chamar esse cara de rosto desconhecido que anda por aí de namorado. E ser seu companheiro e melhor amigo, mesmo (e mesmo se houver) depois do fim.
12 de junho de 2016

Histórias de amor. Ridículas




"O amor prefere a luz das velas. Talvez porque seja isto tudo o que desejamos de uma pessoa amada: que ela seja luz suave que nos ajude a suportar o terror da noite. Sob a luz do amor que ilumina modesta e pacientemente, o escuro já não assusta tanto.
-"As Velas", de Rubem Alves


- Eu não sou deste mundo. – revelou, já no primeiro encontro.

O outro sorriu. Um sorriso bonito, uma covinha que embelezava ainda mais seu rosto. Talvez ele concordasse, já naquele momento, mas nada disse. Fez: pegou a mão do outro e aninhou dentro de suas mãos. Olhou dentro dos seus olhos. O amor é tão clichê... Mas não era amor naquele momento. Aquele friozinho na barriga. Beija, não beija. Onde coloco as mãos? Ansiedade, talvez.

Começaram a ler as estrelas. O astro de um era guerreiro, Marte, Ares; o outro tinha como sina a doçura da beleza e da calma de Vênus, Afrodite, talvez. O segundo duvidou, acostumado a interpretar o céu. “Está errado, só pode”. O outro sorria. “Talvez eu seja um guerreiro desarmado”. Não deu outra. Ascendente Câncer. O outro jurava que isso explicava. O filho de Ares só concordava. Tudo que ouvia dizia muito de si.

Os encontros tomaram os dias da semana. Antes, só se viam aos sábados e domingos. Talvez na sexta. Essas coisas a gente não controla. Definitivamente não. Um deles soube. O filho de Ares. Não queria cair. <em>Fall in love</em>. Mas o outro tinha um perfume de tons amadeirados que impregnava a sua roupa e o deixava com um sorriso idiota de canto de rosto quando levava a trouxa para lavar. Tinha uma mania esquisita de dormir com o dedo na boca e esquecer de colocar o cobertor e era tão lindo, tão lindo, tão lindo dormindo e ele sempre olhava e o abraçava e o beijava e o outro nunca acordou. O outro tinha uma cara fechada de raiva que era tão bonita e ele sempre o irritava só para rir. E ria, ria, ria. Caiu de quatro. Cair de quatro não era para ele. Ele não entendia, mas a queda era deliciosamente reconfortante. A gente se acostuma com esse tipo de coisa.

O “outro” nem ligava. Filho de Afrodite, a deusa do amor. Para ele era natural. E por que o amor deveria ser uma luta, afinal? Se era um enroscar suave de corpos, um café quente em uma manhã chuvosa de um domingo friento, um abraço apertado na despedida e uma mensagem de “eu te amo” no meio da aula na metade da semana que não tinha fim.
Mas sempre há a guerra. A trava. "Eu não queria assim". "Você não deveria ter feito isso". Se pudesse os dois apagavam esses incêndios. Aboliam. O passar dos anos gera um passo cadenciado de saber onde não pisar. O meu espaço e o seu. Basta permitir. O amor é isso, né? Permitir. Deixar o outro entrar e não ter medo. Eu não sei você, mas eu sinto falta disso. Um cafuné. Um abraço apertado que sufoca e não solta, por favor, não solta, quero morar dentro desse abraço e você se agarra naquele abraço e o outro se afoga no seu calor. Já deram um abraço apertado, assim, verdadeiro?

O sexo muda, todo mundo dizia. Quem dera soubesse. Com o amor, eu digo. E mudou. Eles aprenderam, afinal. Quais os botões certos. E que a orelha é o ponto fraco de um e que apertar a bunda é quase matar o outro. Dormir de conchinha (antes era tão desconfortável) era a forma sexual mais pura e recompensadora. “Você dorme hoje na minha casa” era um convite ao delírio. Às vezes nem se convidavam. Com o passar do tempo nem precisava mais. Era uma certeza. PRECISAVAM dormir juntos. Depois daquela festa, a noite toda, os corpos cansados. Chegavam em casa e dormiam um em cima do outro. Às vezes os corpos ainda aguentavam mais algum tempo de uma dança maluca de beijos, braços e amassos, mas sempre, sempre, um estava abraçado ao outro, no final. Denominaram “a arte de dormir em conchinha”. Os dois brincavam que um dia colocariam como habilidade no Linkedin.


O senso comum já aceitou que sexo vicia. Depois que começa é difícil parar. Mas são poucos os que assumem que amor é uma droga. Aquele amor de verdade. Aquele que te deixa de quatro, metafórica ou literalmente, e dá aquela saudade. Depois que você experimenta, você nunca mais é o mesmo. E você quer mais. Algumas pessoas se negam, porque está todo mundo assustado, com medo dessa droga. A política anti-amor já fez adeptos demais. Cair de quatro é sinônimo de humilhação. “Eu não sou desse mundo”, já dizia, no primeiro encontro, um dos personagens deste conto. Diz isso sempre quem sente e não tem medo. Que sabe que todas as cartas de amor são ridículas e que só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas, como bem dizia Fernando Pessoa.

25 de abril de 2015

Surpresa

Como eu poderia adivinhar que aqueles olhos travessos
Atravessariam, serenos e límpidos, os meus olhos pequenos?
Como poderia eu saber que aquelas mãos agitadas
Aqueceriam os meus braços com a calma de um abraço?
Como saberia que o seu jeito impetuoso
Impetuosamente fizesse de mim sua proteção
Na ânsia em me amar?
Como prediria que sua sede de amor, infinita,
Só por mim se saciaria?
Como prenunciar que a falta que o homem da minha vida me fazia
Era uma falta dividida?
Como profetizar que estávamos destinados a nos amar?

No entanto, como duvidar?


15 de março de 2015

Assim...

Os cobertores... Ah, os cobertores... A metáfora perfeita de uma vida perdida (ou ganhada) em abraços, afagos e beijos. Os cobertores que cobriram os nossos corpos na primeira e na última vez não são os mesmos, mas os cobertores vem nos cobrindo e descobrindo, fazendo a cobertura de nossos abraços desengonçados e sendo cobertura de nossos corpos enlaçados. Viveríamos debaixo das cobertas, acobertados no infinito afago de nosso amor aberto e descoberto. Viveríamos dentro da colcha de retalhos das palavras que não dizemos e das milhares de letras que não precisaram ser ditas. Nós nos acobertamos dentro de nós mesmos, descobertos de qualquer segredo ou medo.


Mas, assim, nu, é melhor. Assim descoberto e já sem cobertura ou coberta. Assim, como só eu e você podemos ser. Únicos em suas imperfeições e detalhes perfeitamente arranjados. Certos e incertos de que é preciso virar o mundo de cabeça para baixo para entender o nosso amor. Confessos de que juntos ou afastados, nunca estaremos separados. 


28 de janeiro de 2015

Despedida

Disseram...
Disseram tanto, disseram tudo
E as nossas palavras não foram ditas.
Pensamos...
Pensamos tanto, planejamos tudo
E alguém, quem de nós dois?, jogou a planta fora.
Choramos...
Choramos tanto, por tudo
E as nossas lágrimas semearam a confusão.

Eu andei três milhas,
Você voltou duas léguas
E nos desencontramos.
Disseram...
Tanto... Tudo!
E nós?
Nossas palavras não foram ditas.
Voltamos ao ponto de partida,
Distantes, você na entrada, eu na saída.

Disseram,
De um amor tão bonito, 
Dormindo de conchinha 
Em cima do travesseiro da cama.
Disseram:
"Éramos dois"
"Éramos um"
E agora
Somos dois,
Presos entre as palavras não ditas,
Perdidos em um desencontro,
Você na porta de entrada,
Eu na porta de saída,
Prestes a acenar a despedida.   




23 de dezembro de 2014

Insônia



Tudo está rodando. As minhas mãos tremem. A sensação não é tão ruim. Inebriante. Estimulante. Eu poderia continuar até a eternidade fazendo isso... Com você. Não com esse qualquer que faz estas caretas idiotas. Empurro a cadeira. Chuto a mesa. Pego as minhas roupas no chão. Abro a porta. Olhando para um ponto fixo na parede da sala, grito: “Sai daqui!”. Não tenho tempo pra explicações. Ou talvez isso tudo se passa na minha mente. Porque continuo lá, entre um orgasmo fingido ou desejado. Efêmero, em ambos os casos. Coloco a minha cueca e finjo escutar tudo o que o outro fala. Palavras, palavras, palavras. Como se eu me importasse. Como se algo realmente importasse.





“Que nome estranho!”. Vejo a foto dele no celular. Um chapéu na cabeça, moreno, um sorriso de tubarão na rosto. “Bonitinho”. “Você vai adorar ele, Gui!”.

Um beijo sufocante. Suas mãos percorriam e apertavam o meu corpo. Eu não resisti e comecei a percorrer todas as suas curvas. Detive-me nos botões da sua camisa e no zíper da sua calça, meus lábios sufocados nos seus. Um calor abrasador. E então...

"Você é vegano, né?". Olhei pra janela. O sol iluminava lá embaixo. Olhei pra ele e sorri. "Não, por que?". "Sei lá. Achei que você fosse". Sim, eu vegano e ele comprou lasanha quatro queijos. Sorri baixinho, lembrando da noite anterior e olhando o cara mais lindo do mundo cozinhando pra mim. 

Nós nos deitamos naquele chão frio. Exaustos. Eu me deitei em seu braço e ele me abraçou. Olhamos a janela. Por alguns minutos, o tempo para. A paixão nos preenche. Tudo o que importa é o calor dos seus braços.

“... E eu queria dizer que te amo”. Sorri, emocionado. O primeiro eu te amo. “O primeiro de muitos”, eu pensei. Guardei o meu celular e olhei para o infinito. A vida é mesmo muito boa. O sorriso insistia em continuar no meu rosto e eu não fazia nem um pouco de questão de tirá-lo.

 “Você aceita namorar comigo?”. Meu coração apertou, dentro do peito. Mesmo o seu hálito de álcool não quebrava a magia do momento. Mesmo a sua afirmação extremamente vergonhosa e constrangedora. Acho que eu balbuciei um ‘O quê?!?’. Eu me assustei, sem dúvidas. “Sim, eu aceito”. Você me abraça, na cama. Eu, o cabelo totalmente desarrumado e com a cara de quem acabou de acordar (literalmente) e você, bêbado, acabado, cara de quem acabou chegar de uma festa (literalmente).

“Esse está sendo um dos melhores carnavais”. Será? Porque o meu sim. Nós dois, aqui, sem ninguém. Eu, dentro dos seus braços. Dormindo e acordando com você. Passeando com você. Eu beijo você e dou um sorriso. “Tô com fome!”. Vou para a cozinha e, enquanto bebo água, olho fixamente para qualquer ponto e sorrio. A alegria não cabe dentro do peito. Como é bom amar!

“É sua!”. Eu seguro a minha respiração. Eu havia prometido que não usaria, mas aquela aliança era tão linda. Eu olhei pra ele e o abracei. Tudo tão perfeito. O melhor namorado do mundo.

“Nossa, essa mulher demorou demais!”. Meu coração a ponto de sair do peito. Finalmente. Meu namorado, conhecendo a minha família. Eu observo atentamente a reação da minha mãe. Ela sorri e o abraça. Minha vó, querida, amada. E, então, minha tia. “Finalmente!”. São amigos de infância. Tudo como em meus melhores sonhos. Esboço um sorriso de canto, talvez imperceptível. Talvez não.

“Eu sei que você quer que eu coloque a minha camisa azul”. Não queria assumir, mas realmente. Ele deixa a camisa desabotoada. Não falo nada. Mas ele está lindo. Esboço um grande sorriso. No final da noite, eu coloco a minha cabeça em seu ombro e escuto ele cantar Elis Regina. Todos felizes. Inclusive eu.

“Ele adora jogar na minha cara que eu não gosto dele, mas sabe como ele me pediu em namoro?”. Adoro ver a reação dos seus amigos quando falo isso. Eles sempre entram pro meu time. E com as duas não foi diferente. O moço não foi diferente. Mas eu gostava de ver como ele me abraçava, orgulhoso em dizer que eu era seu. Eu sempre me encolho naquele abraço e dou um sorriso. Este é o papel que eu nasci para interpretar.

“Me desculpa, amor. Eu fui um idiota. Me desculpa, por favor”. Foi só eu chegar em casa e vi a mensagem. Chorei muito. Mas o trajeto foi o suficiente para eu esquecer todas as mágoas. Eu gosto dele demais para ficar magoado por causa de uma briga. Claro que desculpo. Uma, duas, mil, um milhão de vezes. Ele me ama. E eu amo ele desesperadamente.

“Volta essa música, amor. É, essa mesmo!”. A música linda. Parece que eu já ouvi antes. Ela me lembra algum daqueles filmes da minha infância. Eu me deito em seus braços e ouvimos aquela música inteira, juntos. Eu não consigo deixar de sorrir. “É essa a nossa música, amor. Hymne a l’amour”.

“Espera só um minuto”. Vejo a rua, ao longe. Os carros passam. Risco o chão com o meu tênis. Será esta a nossa última vez. Treino o discurso que venho repetindo desde a última briga. Ele está com o casaco preto, sério. Lindo. E talvez, a partir de hoje não seja mais meu. Engulo as lágrimas. Vamos para a casa dele. No colchão, ele pergunta. Eu pergunto. E ele fala que é melhor não. Eu não quero que termine. Não quero. Não pode terminar assim. Ele olha pro chão. “Ok”. Eu o abraço. Ele me abraça. O seu abraço me sufoca. Minha boca procura a sua. Meu rosto procura o seu. Nossas mãos se unem. Sou dele novamente.

“Você tá dançando muitoooo!”. Ele está sorrindo, completamente bêbado. Nós dançamos loucamente. Saudades desses nossos beijos, nossos corpos entrelaçados e da falta de respiração que o tesão que eu sinto por ele me causa. “Tinha um cara olhando pra você”. Saudades desse ciúme besta. Eu não havia visto nenhum outro cara a festa inteira. Porque eu sou seu, meu bobo!

“Gui, eu já tô pronto”. Gui. Gui. Gui. O meu nome não sai da minha cabeça. Faz dois dias que ele não me chama de amor. Deve ser coisa da minha cabeça. Estou com a minha camisa branca, com o capuz cinza. Ah, ele não gosta dessa camisa. Coloco a minha camisa cinza, vermelha e preta. Desço o morro e ele está lá. Cara de cansado. Sem um sorriso. Trago a salada marroquina que a minha tia havia feito, junto com o presente dele. Ele vai adorar, tenho certeza. Ah, tenho que mostrar o vídeo da minha tia e da minha prima. Ele vai rir muito! Sorrio pra ele e ele me olha e esboça um sorriso ‘fake’. “Vamos almoçar. Preciso falar uma coisa com você depois”. Aconteceu algo. Eu me martirizo. O tempo não passa. Preciso saber o que é. Preciso desesperadamente saber o que é. E a hora chega. Ele só pode ter me traído. Não tem importância. O importante é a sinceridade. Eu o perdoo. “Eu quero um tempo”. Ele não me quer mais. Meu mundo caiu.




Exclui mais uma vez o Tinder. Hesitante, exclui também o Scruff. Por via das dúvidas é melhor excluir o Hornet também. Olho pra estante. Ele não a viu. No guarda-roupa, o seu chapéu. O chapéu branco. Da primeira foto. Sem querer derrubo a caixa. E, lá no fundo, a aliança. Tiro e observo.


Troco os dias pela noite. Olho no relógio. Três horas da manhã. Aumento a música. “You're gone and I got to stay high All the time to keep you off my mind High all the time to keep you off my mind Spend my days locked in a haze Tryin to forget you babe, I fall back down Got to stay high all my life to forget I'm missing you”.
30 de agosto de 2014

Meias mentiras

Eu poderia dizer, nestas linhas tortuosas,
Que ainda sou seu.
Seu!
Corpo, alma, coração
Corpo das noites quentes e frias,
Alma do abraço de aconchego,
Coração da entrega sem medo.
Mentiria, porém, se o dissesse.
Em algum momento, eu me perdi de você,
Você se perdeu de mim,
Nós nos perdemos de nós mesmos

Eu poderia dizer, nestas estrofes desconexas,
Que eu o esqueci,
Que as lembranças foram fugazes,
Que os toques foram efêmeros
E que o amor era pequeno,
Foi pequeno.
Mentiria, porém, se o dissesse.
Meu corpo não lhe pertence,
Minha alma não é sua posse,
E, mesmo sem ser seu,
Meu coração se enternece com as lembranças
E não quer ter mágoa daquele que, por muito tempo, o aqueceu.

Eu poderia, e posso,
Dizer, porém,
Que no espelho
Eu me enxerguei
E hoje sei quem sou.
E não mentiria, não minto,
Ao dizer:

Foi maravilhoso amar e ser amado por você!


12 de agosto de 2014

Pressa de você

A saudade tem cheiro de Arbor,
Sorriso gigante,
Me chama de amor.
A saudade é apressada,
Ligeira, falante,
Hesitante, certeira.
A saudade tem gosto de pudim roubado,
Molho rosê compartilhado
E beijo molhado.
A saudade tem som de roda de samba,
Egocentrismo de criança
E amor, muito amor.
Amor que aperta minha mão e segura,
Abraço que sela a paz,
Amor dos cuidados que faz
Amor que eu sinto

Da saudade que você me traz. 


Longa estadia



Uma coisa não me entra na cabeça: que o amor deva ser uma entrada pela porta principal com uma saída rápida pela porta dos fundos assim que a casa começa a ficar bagunçada. Será mesmo masoquismo sentar no sofá da sala e esperar a poeira abaixar? Óbvio, tudo tem seus limites. Se o dono da casa quiser enfiar a poeira goela abaixo, não há cristão que aguente. Pior ainda se ele quiser que você limpe a casa dele. Mas acredito que o amor seja um pouco de suportar. Toda casa tem os seus tempos ruins: seja um inverno, onde nem mesmo a sua aconchegante lareira é capaz de esquentar; seja o verão chuvoso, onde nem mesmo as orações a São Pedro fazem com que a água pare de descer. Sair pela porta dos fundos nesses momentos é fácil. Mas há quem se esquece de que um abraço não acaba com o frio, mas com certeza o ameniza. E água, quando tem de sair, é melhor que saia no suave aconchego de uma intimidade bem construída. E intimidade não se constrói numa entrada de cinco minutos, com paciência apenas para o café. Intimidade surge quando a companhia se faz presente mesmo após a porta da sala emperrar, o forno do fogão estragar e o botijão perder o gás. E principalmente, quando o som do salão de festas não funcionar mais e o dono da casa descobrir que, nestes momentos, pode-se contar com o suave aconchego de uma conversa no sofá desgastado da sala de estar.


Sei lá, pode ser babaquice, pieguice, bobeira, romantismo barato, excesso de comédias românticas e projeções neuróticas. Pode ser coisa de outro século. Sei lá. Mas, para mim, amor é entrada na porta principal. A pré-entrada não importa. Pode ter sido uma conversa de bar, uma cantada sem graça no ponto de ônibus, uma cutucada no Facebook, um ‘sim’ no Tinder. Sem moralismos. O que importa é uma boa estadia na casa. Apaixonar-se pelos detalhes. Ser cativado pelas minúcias. E não se desmotivar com os contratempos. A janela, que levou tanto tempo para que você aprendesse a abrir do jeito certo. Os talheres, que foram sendo tirados da gaveta, um a um, e divididos. Os casacos, que ele tinha tanto ciúme de compartilhar, mas que se ajustaram tão bem a você. A cama, que parece cada dia mais macia. Os lençóis preferidos você já sabe de cor. Mas isso não significa que você não possa surpreender com novos. O tão temido sótão, que mostrou um surpreendente aconchego nos momentos necessários. Também lugar dos álbuns de recordação, museus sempre engraçados de serem remexidos. No final, o orgulho e a satisfação de saber que você ajudou e ajuda a abrir a janela, que não se importa nem um pouco em dividir os talheres, que ama os seus casacos, que se satisfaz plenamente com a cama e que respeita o sótão faz com que a vontade de sair pela porta dos fundos desapareça misteriosamente. Ou talvez nem tão misteriosamente assim.  
26 de julho de 2014

A dança da sereia

Eu a vi dançando e, instantaneamente, fiquei de pau duro. Ela rodava, girava, balançava os seus longos cabelos e rodopiava o seu vestido vermelho. Seu corpo tinha as curvas mais simétricas que eu já havia visto em minha vida. Sua bunda e seus seios empinados marcavam o seu vestido e enchiam os meus olhos. Eu babava, em cima e embaixo. Ela percebeu o meu olhar insistente e grudou os seus grandes olhos de jabuticaba nos meus. Sorriu maliciosamente. Segurou a sua saia e maneirou no vai e vem. Eu me senti constrangido. Um mulherão daqueles deixa qualquer macho de quatro. Ela sacou o meu constrangimento e parou de dançar. Como uma deusa, uma musa, aquela mulher maravilhosa se aproximou. Passo a passo. Seu corpo remexia, suas coxas quebrando num vai e vem gostoso, os seios, que seios!, balançando suavemente. Eu imaginei aquela mulher na minha cama e me lembrei do meu “parceiro”, animadinho demais na minha calça. Tentei disfarçar. Ela se aproximou e me puxou pelas mãos. Eu dançar? Ela estava louca. Mas mais louco estava eu por ela. Mesmo sem jeito eu topei. Ela colou seu corpo ao meu e, naquele momento, acho que tive um orgasmo. Fui ao céu e voltei. Ela sabia que estava me deixando completamente maluco. Ela pegou as minhas mãos e as colocou na sua cintura. Começou a rebolar. Loucamente. Lentamente. Deliciosamente. Seus olhos de jabuticaba estavam colados aos meus. Sua boca, contornada por um provocante batom vermelho, esboçava um sorriso de satisfação. Ela sacou o meu desajeito e maneirou na condução. Eu comecei a requebrar. Segui seus passos. Girei. Rodopiei. Rodopiamos. Giramos. Eu a beijei. Ela me beijou. Nós nos beijamos. Loucamente. Lentamente. Deliciosamente. Passeei por todo o seu corpo com as minhas mãos nessa dança louca e então eu descobri...

Eu dançava, linda e rica. Leve e solta. Femininamente livre. Rodava, girava, balançava os meus cabelos e rodopiava com meu vestido vermelho preferido. Estava cansada dos olhares dúbios e das risadas mal disfarçadas. Todos me olhavam, mas nenhum me interessava. Até eu vê-lo. Seus olhos seguiam o meu rodopiar com ávido interesse. Mal conseguia esconder o seu tesão. O volume em sua calça se destacava. Os seus lindos olhos verdes contrastavam com a sua pose de babão. Sorri. Segurei a minha saia e maneirei no vai e vem. Um bofe daqueles, alto, sarado, barba a fazer e olhos verdes? Não há mulher que se aguente! Ele estava visivelmente constrangido. Hesitei. Parei. Seus olhos me chamavam. Seus braços fortes, o seu grande peitoral e o maravilhoso abdômen definido marcavam a sua camisa branca e as suas pernas grossas aumentavam o volume, que volume!, em sua calça. Eu me imaginei em cima daquele homem, tendo-o somente para mim. Caminhei vagarosamente e os seus lindos olhos verdes acompanhavam cada movimento meu. Eu o puxei pelas mãos e colei seu corpo ao meu. Senti todo o “impacto” e tive múltiplos orgasmos. Fui ao céu e voltei. Ele estava louco por mim e eu louca por ele. Peguei as suas mãos e as coloquei em minha cintura, com uma grande esperança de que ele se comportasse bem e não estragasse aquela noite, colocando-as onde não devia. Eu comecei a rebolar. Loucamente. Lentamente. Deliciosamente. Seus olhos verdes estavam colados aos meus. Seu rosto ainda estava com a mesma expressão de satisfação misturada à perplexidade. Ele estava desajeitado. Eu maneirei na condução. Ele me surpreendeu requebrando. Seguiu meus passos. Girou. Rodopiou. Rodopiamos. Giramos. Ele me beijou. Eu o beijei. Nós nos beijamos. Loucamente. Lentamente. Deliciosamente. Mas, ele resolveu passear em meu corpo com as mãos e então ele descobriu...

... Um volume em seu vestido! Aquela mulher maravilhosa era um homem. Percebi que todos me olhavam. Todos já sabiam! Seus olhos de jabuticaba me olhavam com ternura e receio. Seu corpo desfez o laço que, minutos antes, me deixou louco. Ela se virou. E eu escutava a música ao fundo. E eu percebia os olhares mal disfarçados e as risadas de canto de boca. E eu continuava hipnotizado pela sua bunda, que, apesar dos pesares, insistia em rebolar dentro daquele vestido vermelho. Cada passo que ela dava, parecia que a minha perna sucumbia de agonia. O meu corpo queria o seu. Ela sacou a minha indecisão e estacionou. Involuntariamente, dei um passo. E a música ao fundo. E os olhares mal disfarçados e as bocas paradas: um clima geral de apreensão. E a minha contínua hipnose por seu corpo rebolativo. Perdi as esperanças de um final racional. Voluntariamente, a minha mão pegou a dela. A sua mão. A mão da minha mulher maravilhosa. E a música ao fundo. Ela apertou a minha mão e rodopiou de volta para os meus braços. Eu a apertei. Todo o meu corpo tremia de excitação e ansiedade. Nós nos encaixávamos perfeitamente. E, surpreso, percebi minha perna rodando. Girando. Rodopiando. E ela me seguiu, a minha deusa dos olhos de jabuticaba e dos longos cabelos negros. Girando. Rodopiando. Sendo guiada pelos meus passos, já não mais inseguros. Dançamos. Loucamente. Lentamente. Deliciosamente. Apaixonadamente. E a música ao fundo. E os olhares escancarados e as bocas escandalosamente abertas de espanto. Sorrimos como dois doidos. Ela colocou a mão onde eu desejava e eu não me importei nenhum pouco em colocar a minha onde não devia.


Em meus pensamentos



Em minhas razões,
Meu amor se confunde com meu desejo
E meu corpo se confunde, une e exausta o seu.
Minha boca tem sede da sua,
E a minha pele, nua, tem saudade do calor da sua pele desnuda.
Meu amor é puro?
Eu me pergunto
E, por segundos, duvido.
Então me lembro do horizonte do seu sorriso,
O aconchego do seu olhar
E silencio as minhas dúvidas.

Em meus sonhos,
Antigos sonhos,
O amor seria uma calmaria,
Um barco ao relento,
Lento, mas não parado.
Meus pré-conceitos...

Pois em minhas expectativas,
O amor é doação,
Partilha
E compartilhar a tensão,
Tesão,
Pulsão,
Calmaria de sensações.

Em meu presente,
Vivo aquilo que acredito
E me regozijo.
Em minhas lembranças,
O amor tem um cheiro adocicado de noites silenciosas,
Deitado por sobre seus braços,
Tempo pausado,
Deleite prolongado:
Amor, pra mim, é você.







1 de março de 2013

Casamento civil igualitário

Finalmente uma boa notícia... O casamento civil igualitário (entre pessoas do mesmo sexo) já é uma realidade no Brasil. Infelizmente não é uma realidade em todos os Estados. Aos poucos a igualdade vai tomando o espaço.

Créditos: Homofobia Não

Gostaria de compartilhar com vocês alguns vídeos/fotos de casamentos que me tocaram profundamente. As fotos são do site 'Casando Com Amor'. Vocês podem conferir clicando nos links abaixo:

O casamento de Rafael e Jarret



Marcos e Marcos casamento civil 



E, claro, não poderia deixar de compartilhar esse vídeo lindo do casamento de Aécio e Luiz Felipe. As fotos  e o vídeo vocês podem conferir aqui: http://casandocomamor.com.br/um-video-para-emocionar/


12 de agosto de 2012

Feliz Dia dos Pais

Hoje, dia 12 de agosto de 2012, é dia dos Pais. Sei que não estou contando nenhuma novidade, mas hoje gostaria de fazer uma homenagem para aqueles que, muita das vezes, são desconsiderados. Pai é aquela figura meio à margem, alguns não assumem a paternidade, outros não dão carinho, outros moram longe, muito longe dos filhos. Mas também há quem tenha somente o pai, assim como quem tem somente a mãe. Há quem tenha a sorte de ter um pai presente, que ouve, escuta, aconselha e abraça. No fundo (para alguns, bem lá no fundo mesmo) é o que todos nós queremos: um pais que nos abrace, assim como nos filmes.

Mas, nem sempre é o que acontece. Eu ouço falarem mais de pais ausentes do que de pais presentes. Então aqueles que tem um pai presente, façam o favor de o abraçar nessa data especial. Um abraço apertado, daqueles que ele sempre te deu nos momentos de alegria e nos momentos de tristeza. Aquele abraço que todos que têm pais ausentes sempre quiseram dar e receber. Saiba que é um privilégio ter um pai que te acolhe, que te escuta e que demonstra que te ama...

Para todos os que sobraram, os filhos dos pais ausentes (que não são poucos) eu gostaria de deixar uma mensagem. Eu estou aqui falando por eles. Vamos tentar, por alguns minutos, se colocar no lugar dos "pais ausentes". Ele é o homem silencioso da casa. Trabalha bastante, muitas vezes chega cansado do trabalho e tudo que quer é comer a sua comida e dormir. Às vezes chega alegre, faz gracinhas pra você e te dá uma grana legal. Ele nunca chegou pra você perguntando dos seus problemas, mas sempre exige que você tire boas notas, que se comporte na escola, se não "você leva uma surra, menino!". Quando as coisas estão mal ele sente e você vê isso. Mas ele é um rochedo, uma muralha e, muitas vezes, ele não derrama uma lágrima. Levanta e vai trabalhar. Esse é, muitas das vezes, o pai ausente. Mas ele não teve a mesma educação que a gente. No tempo dele não tinha nada disso de computador, internet e "Parada Gay" rs. Alguns tentam desesperadamente não ficar para trás. Ele compra um computador pra você, batalha pra te dar uma televisão de 42 polegadas, aquela linda que você viu na TV. Às vezes você o pega batalhando pra fazer o DVD funcionar e fica impaciente, acha ele um burro e fica o comparando com o pai dos seus outros amigos, que sabem mexer com todas essas "modernidades", como ele costuma falar. Esse é o pai de muitos. Ele cresceu num ambiente onde "homem não chora" e ele deixa pra nossa mãe o trabalho de cuidar do nosso emocional porque o emocional dele, muita das vezes, nem foi cuidado. Ele teve de aguentar tudo sozinho. A forma dele demonstrar amor é levantando cedo todos os dias para ir trabalhar, trazer comida e as "modernidades" para nós, os filhos ingratos. Só porque uma pessoa não nos ama do jeito que nós queremos não quer dizer que ela não nos ama. Temos que parar de pensar somente em nós mesmos. Nós somos de outra época, outra geração e nossos pais ainda estão tentando se acostumar. Que tal pegarmos um pouco mais leve?

Para aqueles em que o pai é ou está realmente ausente em sua vida... Resta-nos o amor de quem nos acolheu. Esses são os nossos verdadeiros pais. Vamos amar o que nos foi dado em vez de achar que sempre a grama do vizinho é mais verde que a nossa!


17 de julho de 2012

Meu inferno particular


A alma quebrada,
Obsessões.
E eu me perguntando:
“Quando será que terei a mim?”

Um espelho,
Lágrimas,
Um reflexo de um rosto.

O desejo em chamas,
Obsessão insana
Que insisto em chamar de amor.

Perseguição incessante.
Nos sonhos,
Ao amanhecer,
Anoitecer, entardecer:
Meu inferno particular se faz por eu desejar você.




9 de julho de 2012

Entrega




Eu te amo!
E, nessa frase, quantos encontros e desencontros,
Quantos erros e acertos,
Quantos enganos e desenganos?
E, nesse sentimento, quanta profundidade e superficialidade,
Quantas críticas e quantos elogios,
Quanto amor e quanto ódio?

Eu te amo!
Tão clichê, tão padrão, tão comum!
Tão... Universal!
Amor!
Tão contraditório, tão inexplicável, tão ininteligível.
E o sujeito dessa ação tentando entender,
Tentando racionalizar,
Com medo de se entregar
E se juntar ao padrão, ao comum... Ao universal!

Amor sem regras,
Sem subterfúgios e sem explicações.
Amor sem razão,
Amor pura e totalmente emoção,
Amor pura e totalmente entrega ao desconhecido
Sem garantias de triunfo ou derrota.

Eu te amo
Traz consigo, implícito, o inexplicável
E o sensível.

E, que hoje e sempre,
Eu não te magoe tentando colocar regras
Em algo rebelde e livre:
O nosso universal e particular amor!
7 de março de 2012

Assim por acaso



Tudo começou por um acaso. Esbarraram-se na rua e, como eram educados, ambos pediram desculpas. Riram da sincronia. “Não deixou cair nada?”, perguntou um deles. “Não, acho que não”, disse o outro apalpando os bolsos do paletó. Despediram-se, foram embora pelo mesmo caminho. “Aqui, parceiro, não é por nada não, mas por acaso está me seguindo?”. “Que isso, meu camarada, tô indo pro trampo!”

Caminharam juntos, meio desconfiados um do outro. “Começo hoje”, disse o que ‘ia trampar’, puxando papo. “Não brinca? Eu também! Só falta dizer que vai trampar naquele mercado novo...” O camarada trabalhador para boquiaberto. “Somos companheiros de trabalho?” Seguem os dois, dando risada do acaso múltiplo.

Os dois trabalhando no caixa. Quando o movimento tava fraco dava pros dois conversarem. Alan era o nome do “camarada que ia trampar”, o outro era o Luís. “Mas pode me chamar de Luisinho”, disse, num desses papos cruzados.

Alan era o mais novo, jeito e palavreado de malandro, tatuagem de “Amor só de mãe” e barba por fazer. Reclamava do governo, dessa “maldita cidade solitária” e da falta de grana.
Luisinho era o mais velho, mais ressabiado e esperto também. Gabava-se de nunca ter sido passado pra trás. Era poeta nas horas vagas e isso lhe dava uma graninha por fora.

Os dois eram viciados em Nintendinho. “Sério? Achei que ninguém mais curtia!”, era o que o Luisinho pensava. “Que isso, brother. Nintendinho é meu vício! Qualquer dia passa lá em casa que eu tenho umas fitas da hora”.

E assim descobriram que curtiam o cabelo da princesinha, davam risadas das tartarugas e adoravam zombar do Bowser. Viraram companheiros. O aluguel do Luisinho tava caro, o apê do Alan era grande: resolveram morar juntos.

Daí começaram as brigas. Alan era folgado, Luisinho espaçoso e assim os defeitos iam aparecendo. O Luisinho, dia desses, resolveu matar a saudade da “loira” e depois do trampo foi pra um bar. O Alan não foi: tava quase matando o chefão da fita nova que compraram. Luisinha exagerou na bebida e chegou tarde, fazendo aquela bagunça. Alan ainda tava acordado, assistindo TV. E mesmo estando pra lá de Bagdá o Luisinho estranhou o filme esquisito. “Que isso, camarada? Isso não é homem beijando homem?” Alan desliga a TV, cara vermelha, tenta disfarçar falando que é mulher vestida de homem. “Filme americano é assim mesmo!”

Luisinho senta no sofá, pede pra ligar, nunca viu homem beijar homem, coisa mais esquisita. Alan liga, vê o amigo concentrado e confessa que já experimentou. Luisinho, mais pra lá do que pra cá, dá aquele amasso no amigo.

No outro dia, os dois acordam abraçados. No trabalho os dois não falam uma palavra um com o outro. Chegam em casa e repetem o “ato” e o “ato” vai virando rotina.
Luisinho confessa que tá xonado, nunca sentiu algo assim. Alan diz que já olhava o amigo com interesse já faz algum tempo.

Os dois se demitem mas continuam juntos. O Luisinho vira poeta das “horas ocupadas”, pois as horas vagas são só pro seu “chamego”. Alan entra na faculdade, quer ajudar a criar outros Marios, tartarugas e princesas pra unir mais viciados em videogame. Agora faz a barba e tem um moicano vermelho (só pra ser seu Yoshi, camarada, diz ele pro Luisinho) e virou muso oficial do poeta.

E assim, por acaso, saem os dois de mãos dadas. Andam no shopping da ex “cidade solitária”, pra onde foram pra fugir do preconceito e dos olhares furtivos das pessoas da cidade onde os dois nasceram.