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26 de julho de 2013

Rima fúnebre



O que se diz, o que se compreende
O que não transmito, o que não se entende
Palavras perdidas,
Solidão não dividida,
Toques desperdiçados,
Lembranças quebradas e seus cacos.
Pedaços de vida,
Aleatoriamente espalhados,
Propositalmente recordados.

Como retirar aquilo que se recusa a sair,
Como não sentir aquilo que insiste em transbordar,
Como esquecer aquilo que se recusa apagar,
Como não sentir o amor,
Não o querer,
Não o sentir,
Sequer o conhecer?

Tento, não consigo...
Desisto.
O sentimento transborda, para o meu dissabor
 E em minhas poesias sempre, sempre
O amor faz rima fúnebre com a dor.



18 de novembro de 2012

Juventude Perdida




Nós só precisamos de um pouco de amor
O mundo gira ao nosso redor
Por sermos o que somos.
Não nos preocupamos:
Nós só precisamos de um pouco de amor.

Somos jovens e solitários
Estamos vazios e entediados
Não acreditamos, não oramos, não somos irmãos
Tiraram a nossa juventude,
Deturparam as nossas canções.
Estamos alienados,
Sem som, sem confiança e sem coração.

Catamos cacos
E fazemos vidros rachados.
Somos potes sem serventia,
Depósitos de corações partidos, solidão e bebida.
Quebrados,
Potes humanos paradoxais
Vazios e completamente cheios.

Nunca morreremos
Como os outros, deixamos nosso legado.
Sem imitar o passado,
Deixaremos a lembrança da dor...
15 de novembro de 2012

Amor obsessivo



"O vício é a marca de toda história de amor baseada na obsessão. Tudo começa quando o objeto de sua adoração lhe dá uma dose generosa, alucinante de algo que você nunca ousou admitir que queria - um explosivo coquetel emocional, talvez, feito de amor estrondoso e louca excitação. Logo você começa a precisar dessa atenção intensa com a obsessão faminta de qualquer viciado. Quando a droga é retirada, você imediatamente adoece, louco e em crise de abstinência (sem falar no ressentimento para com o traficante que incentivou você a adquirir seu vício, mas que agora se recusa a descolar o bagulho bom - apesar de
você saber que ele tem algum escondido em algum lugar, caramba, porque ele antes lhe
dava de graça). O estágio seguinte é você esquelética e tremendo em um canto, sabendo
apenas que venderia sua alma ou roubaria seus vizinhos só para ter aquela coisa mais
uma vez que fosse.
Enquanto isso, o objeto da sua adoração agora sente repulsa por você. Ele olha para você
como se você fosse alguém que ele nunca viu antes, muito menos alguém que um dia
amou com grande paixão. A ironia é que você não pode culpá-lo. Quero dizer, olhe bem
para você. Você está um caco, irreconhecível até mesmo aos seus próprios olhos.
Então é isso. Você agora chegou ao ponto final da obsessão amorosa – a completa e
implacável desvalorização de si mesma."


Elizabeth Gilbert - Comer Rezar Amar 


10 de novembro de 2012

Matéria prima


Com sofrimento, escrevo desesperadamente
Que é pra que a poesia seja sofrida,
E que a minha dor seja sentida,
Do jeitinho que saiu.

Escrevo como quem quer parir,
Como quem quer se livrar da agonia.
Mas eu seguro o que quer sair,
Que é pra que eu guie e crie a poesia.

Não que eu sofra ou coisa assim
Escrevo mais do exagero do que penso sentir
Mas é que não posso deixar ir embora
Tudo aquilo que me toca
Pois, tudo aquilo que me toca
É matéria-prima.

Escrevo por sentir,
Pra fazer sentir.
Escrevo tudo sobre mim
E por ser eu não significa que seja particular
Tudo que eu senti,
Algum outro pode sentir.
Escrevo para espalhar!


16 de agosto de 2012

Amor próprio



 Não, ele não vai voltar.
Ele se foi para sempre
E você não consegue enxergar
Que você não precisa dele?

Sim, ele fez as malas e se foi.
Nem sequer se despediu
Simplesmente se foi,
Sumiu.
Mas você não consegue enxergar
Que ele não precisa voltar?

Você não vê
E é triste ver isso.
A sua beleza, essa você despreza tão facilmente.
Porque, pra você,
Nada é suficiente.

Você não vê
E é triste ver isso.
Você despreza a sua história,
As suas habilidades, os seus talentos
E se foca em seus defeitos, seus medos.
Porque, pra você,
Nada é suficiente.

Pra mim você é perfeita!

Não, ele não vai voltar.
E você...
Você precisa aprender a se amar!




17 de julho de 2012

Meu inferno particular


A alma quebrada,
Obsessões.
E eu me perguntando:
“Quando será que terei a mim?”

Um espelho,
Lágrimas,
Um reflexo de um rosto.

O desejo em chamas,
Obsessão insana
Que insisto em chamar de amor.

Perseguição incessante.
Nos sonhos,
Ao amanhecer,
Anoitecer, entardecer:
Meu inferno particular se faz por eu desejar você.