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10 de março de 2013

Brasil (Todas As Cores) - Cazuza

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...


Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha...

São Paulo - SP

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Londres - Inglaterra

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

São Paulo - SP

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer "sim, sim"


Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Porto Alegre - RS

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair...

Rio de Janeiro - RJ

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Confia em mim
Brasil!!

Rio de Janeiro - RJ


Fotos de manifestações que ocorreram por todo o Brasil em repúdio à nomeação do Pr. Marco Feliciano à Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias

Retirados das páginas
Homofobia Não
Cartazes & Tirinhas LGBT
 
14 de janeiro de 2013

Unidos Contra o Amor

Hoje vejo uma notícia que realmente me deixa triste. 


Com a participação de jovens, idosos e famílias inteiras, boa parte de caravanas do interior do país, milhares de franceses marcharam neste domingo, 13, nas ruas de Paris para protestar contra um projeto de lei do governo do presidente François Hollande que autoriza o casamento gay e - o que mais tem atraído oposição - permite que casais de pessoas do mesmo sexo possam adotar crianças.
O protesto, que teve apoio da Igreja Católica, contou com cerca de 350 mil pessoas, de acordo com cálculos da polícia - o que o torna a maior manifestação em Paris em 20 anos -, ou 800 mil pessoas, segundo anunciaram os organizadores, da frente Manif pour Tous (“Manifestação para Todos”).     
Fonte: Estadão 

É vergonhoso saber que uma das maiores manifestações em Paris nos últimos 20 anos seja contra o amor. É nesse mundo em que nós vivemos, meus caros. Crianças podem ser abandonadas nos lixos, mas não podem ser criadas por duas pessoas que vão lhe dar amor e carinho. Pessoas não podem ter o direito de escolherem com quem desejam ficar pelo resto de suas vidas. E, o que mais me deixa... Bem, não sei definir esse sentimento. Triste? Nervoso? Com pena? Enfim, o que mais mexe comigo é colocarem o nome de Deus nisso. Deus é isso? A união de milhares de pessoas contra o amor? Ah, claro... Isso não é amor. Isso é um sentimento vergonhoso, que leva as pessoas para o inferno. Duas pessoas que se importa uma com a outra, que resolveram manter um compromisso e viver juntas, que escolheram ficar com uma criança que foi rejeitada pelos seus pais (que, com toda a certeza do mundo, eram pessoas que tinha muito AMOR no coração). Isso não é amor. Isso é pecado. 

Não sei porque isso me afetou tão profundamente. Eu já vi outras notícias assim e, bem, eu deveria me acostumar, não? Todos os dias homossexuais são assassinados no Brasil e, bem, isso é normal, dizem. Ocorrem muitos outros homicídios. E isso também é normal. As pessoas matarem umas às outras é normal. As pessoas odiarem as outras pelo simples fato destas serem diferentes também deve ser normal. Normal, anormal. Eu já estou cansado de tudo isso. 

Será utopia sonhar com um mundo em que as pessoas respeitem umas às outras? Suas decisões, suas escolhas, seus desejos, seu amor? Sendo mal educado eu poderia desejar que cada um cuidasse da sua vida. Sendo educado eu poderia dizer que essas pessoas precisam de um pouco do que elas tanto condenam: AMOR! 
18 de outubro de 2012

Bobagens


Pode? Não pode? Por que? É certo? É errado? Por que? Às vezes eu fico me perguntando. Essas acabam sendo questões filosóficas que permeiam a vida de todos aqueles que amam "diferente", que amam o "diferente". O nosso amor é posto à prova todos os dias, em praticamente todos os lugares. Nossos sentimentos são desconsiderados, por serem discordantes da moral e dos bons costumes. Isso pode? 

Discute-se muito sobre as causas da homossexualidade. As opiniões são divergentes. Enquanto alguns acreditam que ela é uma característica inata, outros creem que a homossexualidade é uma escolha. Esta última opinião é usada como justificativa para promover o preconceito contra os homossexuais, principalmente por religiosos mais radicais. Estes afirmam que o homossexual escolhe uma vida de "promiscuidade e desrespeito às Leis de Deus" e que, portanto, ele será condenado ao fogo do inferno. Afirmam, também, que a homossexualidade é passível de tratamento e pode ser "curada". Mas, a OMS (Organização Mundial da Saúde) retirou a homossexualidade da lista de doenças e proíbe que psicólogos e psiquiatras ofereçam tratamento para curar a homossexualidade. O sufixo "ismo" foi retirado da palavra, pois ele é usado para designar doença. E, diante disso, a gente fica se perguntando: até onde vai o limite da liberdade de expressão? As religiões, na sua liberdade de professar suas crenças, podem promover o ódio e o preconceito? 

Obviamente que não são apenas os homossexuais ou, pra usar um termo politicamente correto, LGBT's, que são condenados por amar. Várias escolhas são desconsideradas e/ou vistas com maus olhos. A garota branca que se apaixona pelo garoto negro, a mulher mais velha que se apaixona por um rapaz, pessoas de classes econômicas diferentes que resolvem iniciar um relacionamento. Não pode? Por que? Gostaria que me dessem bons argumentos. Gostaria de entender o que passa na mente dessas pessoas que só sabem julgar, pessoas que só acreditam no branco com branco, preto com preto, amarelo com amarelo, rico com rico, pobre com pobre. Seria interessante se conseguissem explicar o ódio que as pessoas sentem por tudo aquilo que difere do que é considerado como normal, como certo. Medo? Inveja? Aliás, o que é o certo? O que é o errado? 

Estas regras... Bullshit! Diria algum americano revoltado. Como se importássemos. Como se regras fossem barreiras reais, que poderiam realmente nos proibir de seguir o que o nosso coração não consegue julgar e condenar. O certo e o errado ainda são questões de opinião e, enquanto assim o for, não nos importaremos com as regras ditadas por uma sociedade hipócrita e lutaremos pelo nosso amor, o que fará do mundo um lugar melhor!






31 de julho de 2012

Esclarecimentos

Gostaria de esclarecer algumas coisas sobre a homossexualidade:

1. Homossexuais são promíscuos. 

Os homossexuais são promíscuos. Trocam de parceiro sexual assim como trocam de roupa. Alguns até são um pouco mais, digamos, gulosos e cometem esse pecado abominoso, o sexo, com mais de um parceiro. TODOS os heterossexuais são fiéis, têm apenas um parceiro fixo, de preferência um a vida toda, não fazem sexo a três, não sabem o que é sexo oral, nunca fizeram sexo em público e fazem sexo apenas para se reproduzir, sem o intuito de ter prazer, porque é o certo, segundo a Bíblia. Depois que se reproduzem, são ótimos pais. Não há notícias de haver, entre heterossexuais, pais jogando filhos no lixo, obrigando-os a se prostituir e nem explorando-os sexualmente.  

2. Homossexuais só querem sexo, não amam. 

Exatamente. Os homossexuais são seres que pensam em sexo do começo ao fim do dia. São o oposto dos heterossexuais, que, como eu disse, são parceiros fiéis, dedicados, não traem, não olham e nem desejam os parceiros alheios. Entre os heterossexuais não há um que fique com o outro apenas com o intuito de se satisfazer sexualmente. Os casos de violência doméstica, estupro, crimes passionais e outros, sinais evidentes da falta de amor, são inexistentes entre os heterossexuais.

3. Existem vários motivos pra que a proibição do casamento aos homossexuais na maior parte do mundo continue.

Claro! Como, por exemplo... Que Deus não concorda com essa pouca vergonha! Os homossexuais vão todos para o inferno. São todos um bando de sem vergonha, sem moral, vão acabar com a estrutura familiar heterossexual, tão estruturada, baseada nos bons costumes. Os heterossexuais, sem exceção, zelam pela estrutura familiar. Discordam totalmente (e não praticam!) da prática do divórcio, violência doméstica, dos maus tratos às crianças e adolescentes.

4. A homossexualidade é uma doença. 

Que a homossexualidade é uma doença todo mundo já sabe. Mas uma coisa que quase ninguém sabe é que a homossexualidade é uma doença transmissível. Por isso os homossexuais lutam tanto contra a homossexualidade. Têm medo de que essa doença se propague rapidamente. Não vê que o número de homossexuais vêm aumentando cada vez mais? Os heterossexuais protegem particularmente seus filhos. Proíbem totalmente o beijo gay na televisão porque ver isso é tiro e queda: se torna homossexual no mesmo segundo! Mas parece que os homossexuais são imunes aos efeitos da heterossexualidade, que é também uma epidemia (mas uma epidemia boa!). Mesmo vendo seus pais, familiares e amigos heterossexuais se beijando eles não se tornam heterossexuais. Já os heterossexuais estão cada vez mais imunes. Por isso é necessário exterminar os homossexuais para que os heterossexuais menos imunes à essa terrível doença não sejam infectados.

5. Homossexualidade é uma nova moda. 

A homossexualidade é propagandeada pela mídia. O estilo marginal de vida dos homossexuais é glorificado, dignificado e isso é extremamene prejudicial às nossas crianças e adolescentes. Elas veem as notícias de homossexuais sendo mortos, espancados, humilhados e, com seu espírito masoquista juvenil, têm um desejo imenso de sair por aí sendo espancadas, humilhadas e desrespeitadas. Algumas se tornam homossexuais por terem tendências suicidas. Alguns jovens, extremamente compassivos, veem os noticiários sobre alguns direitos recém-adquiridos pelos homossexuais e abdicam-se dos direitos que têm como heterossexuais para se tornarem homossexuais marginalizados e sem os mesmos direitos.

6. E, para concluir, estudos comprovam que homossexuais não são pessoas como as outras pessoas. 

Sim, é isso mesmo que você leu. Os homossexuais não são pessoas como os heterossexuais. Pra começar, como eu já disse, eles são doentes. Mas isso já é do conhecimento universal. Mas estudos científicos comprovam que eles também têm outras "particularidades". Homossexuais têm olhos, nariz, boca, orelhas, braços, pernas, órgãos sexuais. Nascem, crescem, envelhecem, morrem. Têm cinco sentidos: visão, tato, olfato, paladar e audição. Eles pensam, comunicam-se, interagem. Isso, por si só, já mostra que eles não são pessoas como as outras pessoas. Eles não merecem os mesmo direitos que os heterossexuais, já que estes não têm essas "anormalidades".


20 de julho de 2012

Reviravoltas - Parte II




Ele levou um pequeno susto. Pequeno, um leve tremor. Pessoas como ele não se permitiam sentir medo, nem levar sustos. Ele estava sempre preparado para tudo. Ou fingia estar. Ele me olhou nos olhos. Eu via o arrependimento. Naquele momento, com nós dois sozinhos ele poderia pedir perdão. Mas eu não poderia permitir. Eu fui mais rápido.
- Eu te entendo, cara! Você teve que fazer aquilo. Com certeza você foi descoberto não é?
Ele assentiu, cabisbaixo.
- Eu lhe devo desculpas. Prometo que serei mais cuidadoso. Isso, claro, se você ainda me quiser...
E por que ele haveria de não querer? Eu seria o único que estaria disposto a me entregar a ele, sem ninguém saber. Eu seria o único que satisfaria os seus desejos sem atrapalhar a sua imagem, a sua “reputação”. Mas só isso não era suficiente. Ele precisava se apaixonar por mim. Desesperadamente.
Ele sorriu. Ele me queria. E, num dos becos daquela rua escura, foi o nosso primeiro beijo. O jogo havia acabado. Não havia mais uma presa que hesitaria em se entregar e não haveria um garoto idiota e romântico que esperaria se sentir seguro com ele. Mas ele, obviamente, não sabia disso. Foi carinhoso, não avançou nenhum sinal e me deu a segurança que eu não precisava mais. O seu beijo tinha um desejo reprimido, uma vontade de se entregar. Trazia a intensidade de todos os anos em que ele havia escondido o seu verdadeiro eu e todos os anos em que ele haveria de escondê-lo. Ou não...
Passamos a nos encontrar todos os dias depois da aula. Comecei a desvendá-lo, descobrir todos os seus gostos e desgostos, todos os seus interesses, todos os seus sonhos. E, o garoto popular, não era o que parecia ser. Ele também tinha um coração. “Um coração mais puro do que era o meu...”, era o que o meu coração ferido dizia, nos momentos em que eu me permitia ouvi-lo. Era tão fácil fazê-lo sorrir e mais fácil ainda deixá-lo triste. “Mais fácil ainda será fazê-lo apaixonar por mim...”. Gostávamos das mesmas músicas, nos emocionávamos com os mesmos poemas e contávamos as mesmas piadas, as que nós dois já sabíamos. Ele morava com sua avó. Os dois, sozinhos.
- Se você for lá ela nem vai reparar que...
Ele se envergonhava e não completava a frase.
- Eu não me importo. Pode falar.
E eu forçava um sorriso. Ele sentia-se acolhido. E me abraçava.
- É por isso que gosto tanto de você. Você me entende! As pessoas não entenderiam, você sabe. Qualquer dia você pode ir à minha casa. Peço para minha avó preparar uns biscoitos. O que você acha?
- Se não for incômodo...
Essa era a minha frase. “Se não for incômodo...”. Se eu não sujar a sua reputação, se eu não fizer nada pra ele ser descoberto, humilhado, feito de brinquedo como eu havia sido. E aos poucos íamos transpondo os limites. Ele, é claro, estava sendo cada vez mais imprudente. Eu sempre mostrava os riscos, mas ele insistia. Voltamos a conversar por mensagens. É claro que as minhas mensagens ficavam em uma pasta confidencial, com senha. E, obviamente, eu sabia qual era essa senha. “TurningTables”, a nossa música preferida. Reviravoltas. É... A NOSSA música!
Foi por mensagem que ele disse o primeiro “Eu te amo” e, com o tempo, eles não pararam de ser falados. Ele foi se tornando aquele garoto que eu era. Tímido, romântico e sentimental. Sorria sempre que me via, às vezes ficava me olhando, me observando e não reparava que havia outras pessoas em volta. Foi nessa época que meu coração começou a descongelar. Eu voltava a amar ele, aos poucos. “Você tem de perdoá-lo. Ele não fez por mal!”. Mas... E tudo que eu havia passado? Todos os apelidos, todas as piadas, todas as humilhações? Isso será que não valia? “Isso te deixou mais forte! E preparado para amá-lo!”.
Mas eu recusava a ouvir meu coração e meu plano estava dando cada vez mais certo. E então dei o primeiro passo para a vingança. E o seu “melhor amigo” foi o primeiro que comecei a mandar mensagens. Fui zoado por muitos dias, mas coloquei uma ideia em sua cabeça. “Tem uma pasta no celular do seu “melhor amigo” com msgs minhas ou vc acha mesmo q so eu q sou a mocinha?”. Essa mensagem foi a primeira vitória. Ele ficou interessado. “A senha eh TurningTables!”. E então ele pegou o celular e leu. Todas as mensagens. Todos os eu te amos que ele me mandava e a maioria que eu não respondia. Tudo tão devidamente calculado. As minhas mensagens monossilábicas e as mensagens que mais pareciam textos que o meu “amado” me mandava durante as madrugadas. Todas as mensagens. Das mais românticas às mais depravadas. Tudo guardado, as minhas e as dele. “Guarde as suas também, meu amor!” E ele guardou.
O seu “melhor amigo” deixou de ser após saber tudo. E a escola inteira também ficou sabendo. Meu nome já estava sujo, já havia sido fofoca por meses. Ninguém se importava com o fato de eu estar envolvido naquilo. “Não acredito! Mas eu era louca com ele. A minha amiga já ficou com ele. Aliás, não só uma...”. Era o que todas as garotas falavam. E os garotos lamentavam por terem sido amigo de “uma mocinha” por tanto tempo. E eu? Eu estava entre o coração e a razão, apesar de as duas dizerem que eu estava errado. Algo em mim queria vingança e, agora que eu havia feito, eu me sentia mal. O coração era o que mais gritava.
Então ele me procurou. Estava em lágrimas. Mas ele não me culpou. Ele disse que havia merecido tudo isso. Ele disse que me amava muito ainda. Disse que não guardava mágoas de mim. Disse também que a sua avó já sabia de tudo e que havia aceitado numa boa. Eu fiquei desarmado. Não era isso que eu esperava. Eu queria que ele sofresse, queria que ele se sentisse sozinho, como eu havia sentido. Eu queria que ele tivesse de chorar abraçado ao travesseiro, porque ninguém poderia acolhê-lo, entendê-lo, abraçá-lo.
- Quem sou eu pra você? O que eu significo na sua vida?
“É isso! Ele precisa de mim...”. Bastava apenas uma frase pra que ele se sentisse acolhido, pra que tudo isso acabasse. E bastava apenas uma palavra pra que ele se sentisse como eu havia me sentido, pra que sofresse tudo aquilo que eu havia sofrido.
Eu olhei em seus olhos e ele olhou nos meus. Eu estava indefeso. Ele viu tudo isso em meus olhos e então eu me lembrei daquela famosa frase: “os olhos são o espelho da alma”. Haviam sido. Os meus e os dele. Eu havia visto que ele não queria fazer aquilo que fez comigo. Mas ele não estava preparado. “Talvez tivesse de ser assim mesmo”. Eu, o garoto tímido, sentimental e romântico havia mostrado ser mais forte do que o garoto seguro de si, popular e desejado. Então, eu percebi que todo aquele ódio era um amor reprimido, um desejo incontrolável. Eu não queria vê-lo sofrer. Eu queria tê-lo pra mim. Eu queria que acontecesse isso que estava acontecendo. E meus olhos sabiam... Antes mesmo de eu dizer algo ele já estava sorrindo. Então eu o abracei. E lembrei-me de outra frase...
O coração tem razões que a própria razão desconhece.
O meu antigo eu não havia morrido. Havia apenas se aperfeiçoado.





19 de julho de 2012

Reviravoltas - Parte I




E então ele me pergunta:
- Quem sou eu pra você? O que eu significo na sua vida?
É o fim. Foi o que eu pensei. O fim pra mim, porque, para ele, era apenas o começo. O começo no qual ele sentiria tudo aquilo que eu já havia sentido, no qual ele sofreria tudo aquilo que eu já havia sofrido. Tão fácil livrá-lo de tudo isso. Mas bastava apenas uma palavra, “nada”, e ele seria humilhado e maltratado como eu havia sido.
Voltemos ao começo. Um idiota, romântico e sentimental e o objeto do seu sentimento. O cara desejado, seguro de si, bonito, elegante. Traduzindo: aquele que nunca vai te dar bola! Mas você o ama e o admira. Meio de longe. Afastado. No seu interior você sabe que não passa de um amor platônico, impossível de ser realizado. Foi o que eu pensei.
Um dia começo a olhá-lo, admirá-lo e meu olhar se perde. Ele percebe que está sendo observado, eu não. Quando dou por mim ele está sorrindo. Um sorriso perfeito. Com certeza é um sonho, mas não era. E então ele entra na minha vida. Começa a conversar comigo. E o idiota romântico e sentimental se torna a presa tímida e arredia. E talvez, por isso ser apenas um jogo, tenha durado tanto.
Boatos começam a correr. Na escola, começo a ser observado. Eles dão risadas quando passo. “Foi ele!”. Na sala ainda me olham, ainda dão risadas. Alguns nem sequer disfarçam. “O que será que ele andou falando?”. O pior é que não havíamos sequer nos beijado. Era apenas um jogo. E ele parecia que não estava a fim de desistir, pra ter colocado o jogo em risco dessa maneira. “Talvez não tenha sido ele”. Era a voz do meu coração. “Sim, não foi ele! Talvez seja a minha roupa. Talvez esteja rasgada ou algo assim...”. E eu sabia que não estava. Mas coração é assim... Tão forte que consegue acalmar a voz gritante da razão.
O sinal bate. Era a hora de saber o motivo da minha angústia. E, no corredor, fico sabendo. Ele está lá, com os seus amigos. Olha pra mim e sorri. Mas não é aquele sorriso. É um sorriso cínico, de deboche. E, sorrindo assim, ele caminha em minha direção. Os seus amigos o seguem, trazendo em seus rostos o mesmo sorriso cínico e malicioso.
- Olá mocinha!
Continuo calado, olhando em seus olhos, procurando por aquele olhar que, nos dias anteriores, havia me trazido tanta paz e conforto. Percebi que ele hesitava me olhar nos olhos, agora. O sorriso sumiu. Por alguns segundos. Fixou os olhos nos meus e então sorriu maliciosamente. “Ele não quer fazer isso”, razão e coração sabiam disso. “Mas ele não hesitará em fazer. Um garoto como ele não colocaria sua reputação em risco”.
- Eu disse olá para a mocinha. Ela não vai me responder?
Os amigos dele davam risadas estrondosas. Eu chorava por dentro, mas por fora eu continuava olhando fixamente para ele. Ele procurava não encarar o meu olhar. Olhava para os seus amigos, mostrava as mensagens em seu celular. “Eles descobriram e acuaram-no. Ele teve que fazer isso! Eu sou apenas o bode expiatório...”.
Eu me virei e continuei andando. Fui embora, escutando risadas e mais risadas até chegar ao portão. Nesse momento eu já não tinha mais coração. Esse foi um começo e um fim. Começo de um novo eu e o fim do antigo cara romântico e sentimental. 

*  *  *

Eu sofri. Foram tantos apelidos, tantos boatos. Os professores notavam que alguma coisa estava acontecendo. Minhas notas iam piorando, quase não prestava atenção nas aulas. Fui chamado na diretoria. O diretor perguntou o que estava acontecendo, se eu estava tendo algum problema em casa ou algo do tipo. Como podiam ser tão cínicos? Eles sabiam o que estavam acontecendo. Os professores ouviam os apelidos, as piadas. Muitas vezes riam delas, disfarçadamente, claro. E eu estava lá, na mesa do diretor, ele me perguntando se eu estava tendo algum problema. É óbvio que ele sabia. Aquele cara sentimental, tímido e resignado não diria nada. Mas aquele cara havia morrido. Olhei em seus olhos e disse:
- Tenho certeza que sabem o que vem acontecendo. E tenho certeza também que não vão fazer nada a respeito. Tudo que querem é que eu me foque mais nos estudos.
O diretor ficou um pouco surpreso. Com certeza não esperava uma resposta dessas do “garoto comportado”, que sempre tirava boas notas e respeitava professores e alunos. Mas eu havia ouvido conversas entre os professores. “Ah, você sabe como é a adolescência! Eles ficam tão confusos com tudo. Espero que ele tire isso da cabeça. É um menino tão bom!”. E por que eu não poderia ser um menino bom, mesmo gostando de quem eu gostava?  Não, eu não iria mudar apenas porque eles não aceitavam.
- As minhas notas vão melhorar, diretor. Não se preocupe com isso!
Ele afundou na poltrona, aliviado. Sorriu e disse que já podia ir pra minha sala de aula.
Esperei os boatos da “minha mocidade” sumirem. Fofocas eram o que menos faltavam naquela escola e, depois de uns três meses, eu fui esquecido. Zoar a mocinha da escola já não tinha mais graça porque eu não me importava. Sorria maliciosamente. Era o que eu precisava. Eu voltei a procurá-lo. Agora era preciso mais cuidado. Nada de mensagens no celular ou sorrisos disfarçados durante o intervalo. Saber da sua rotina ajudou com meu plano. Ao acabar a aula e depois de sair aprontando com os seus “amigos” populares ele ia sozinho pra casa. Segui-o. Sozinho, ele era muito mais bonito. Estava andando cabisbaixo, com fones de ouvido e observando as paisagens. Eu me aproximei. Aquela rua era deserta, assim não havia perigo de ninguém nos ver.
- Olá!


Continua...
28 de junho de 2012

Orgulho LGBT

Hoje, dia 28 de junho, é o Dia Mundial do Orgulho Gay (LGBT, falando politicamente correto). Um dia de comemorar as vitórias, mas também um dia para refletir sobre as lutas. Ser gay DEVERIA ser uma coisa encarada como uma coisa normal. O amor deveria ser encarado como uma coisa normal. Mas, infelizmente, não é assim. E isso é uma coisa que eu não entendo.

Sinceramente, não entendo como e porque as pessoas se incomodam tanto com a homossexualidade, bissexualidade e por aí vai. Sei que somos educados a gostarmos de pessoas do sexo oposto, mas isso por si só não explica o ódio de alguns. Eu não consigo entender como a união de duas pessoas que se amam podem acabar com "a instituição familiar". Eu não consigo entender porque uma pessoa não pode amar quem ela quiser. Sinceramente, o velho argumento de que os homofóbicos são homossexuais enrustidos é o mais lógico. O que mais poderia fazer com que uma pessoa fervilhasse de ódio ao se deparar com uma cena de beijo entre duas pessoas do mesmo sexo?

Mas nem tudo está perdido. Existem pessoas que ainda seguem a moral de cristã de respeitar o próximo. Existem pessoas que encaram o outro como PRÓXIMO, como um IRMÃO. A luta LGBT vai bem além dos gritos por respeito. Queremos que as pessoas sejam tratadas como iguais, mesmo que sejam diferentes. Queremos que as pessoas sejam tratados como iguais, não importando quem elas amem, o seu sexo e que roupa elas vestem. Queremos uma sociedade onde todos sejam realmente tratados com igualdade e dignidade.







Vale a pena ver esse documentário sobre a Revolta de Stonewall.


24 de junho de 2012

O que importa?

“Meu pai me perguntou: - Você é gay?
Eu perguntei pra ele: - Importa?
Ele disse: - Não, não realmente…
Eu disse pra ele:- Sim, eu sou!
Ele disse:- Fora da minha vida!
Creio que ele se importava.

Meu chefe me perguntou: - Você é gay?
Eu perguntei pra ele: - Importa?
Ele disse: - Não, não realmente…
Eu disse pra ele: - Sim, eu sou!
Ele disse: - Está despedido!
Creio que ele se importava.

Meu amigo me perguntou: - Você é gay?
Eu perguntei pra ele: - Importa?
Ele disse: - Não, não realmente…
Eu disse pra ele: - Sim, eu sou!
Ele disse: - Não me considere mais seu amigo!
Creio que ele se importava.

Meu companheiro em perguntou: - Você me ama?
Eu perguntei pra ele: - Importa?
Ele disse: - Não, não realmente…
Eu disse pra ele: - Sim, eu te amo!
Ele disse: - Deixa-me te abraçar!
Pela primeira vez na minha vida, algo importava.

Deus me perguntou:- Você se aceita?
Eu perguntei pra Ele:- Importa?
Ele disse:- Sim…
Eu disse pra Ele: - Como posso me aceitar, se sou gay?
Ele disse:- Porque é assim que Eu te fiz!

Desde então, somente isso me importa.

Autor Desconhecido


"The Summer of '42",  2007
48" X 36", acrylic on canvas
18 de maio de 2012

Dia do Combate à Homofobia

Meio atrasado, mas aqui estamos. E, nada melhor do que um depoimento de um hétero rico, famoso e bonito pra mostrar que o mundo tem sim, jeito!



"Todas as vezes em que ficamos contra a igualdade (de direitos), estivemos do lado errado da História. É o mesmo tipo de argumento que eles usaram quando não queriam negros no exército ou o casamento entre negros e brancos. Um dia, a luta pelo casamento homossexual soará tão arcaica quanto George Wallace parado à frente da Universidade do Alabama e tentando impedir James Hood de frequentar as aulas porque era negro. As pessoas ficarão embaraçadas de terem ficado do lado errado. Então é encorajador saber que esta será uma briga que soará tola para nossa próxima geração. Até mesmo vários jovens conservadores hoje em dia não encaram a igualdade no casamento como um problema. O governo sempre leva uma geração extra para alcançar a sociedade".
"Não se trata de destacar um grupo em particular e lhe conceder direitos especiais; trata-se de dar a todos os mesmos direitos."
"Boatos de que você é gay te seguem há anos.
Acho divertido, mas a última coisa que me verá fazendo será protestar dizendo "Isto é mentira!". Isto seria injusto e cruel para com meus bons amigos da comunidade gay. Não vou permitir que alguém faça parecer que ser gay é algo ruim. Minha vida privada é privada e sou feliz nela. Quem sairá ferido se alguém pensa que sou gay? Estarei morto há muito tempo e ainda haverá pessoas dizendo que eu era gay. Não me importo."
George Clooney, em entrevista excelente para o The Advocate.

Originalmente publicado em http://www3.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/post/2012/02/29/George-Clooney-sobre-o-casamento-homossexual.aspx

Curiosidade: O dia 17 de maio foi escolhido como Dia do Combate à Homofobia porque em 17 de maio de 1990 a homossexualidade foi retirada da Classificação Internacional de Doenças.
3 de abril de 2012

Das Coisas Que Vejo

Talvez vocês possam me achar extremamente pessimista ao dizer o que irei dizer, mas é uma coisa que constato quando paro e penso: duvido muito que um dia que a homofobia acabe! Sim, é o que eu acho. A homofobia é uma coisa cultural. O "viado" é uma figura popular, o companheiro inseparável do negão e do português burro das piadas brasileiras. Faz parte da cultura ensinar os meninos a se portar como homens e a temer não ser tidos como homens. A homofobia é a companheira inseparável do machismo. E o machismo tá aí, às vezes escondido, às vezes gritante. Às vezes subentendido, às vezes escrito em letras berrantes. A homofobia faz os homens se tornarem mais machos. Falo por experiência própria. É um tal daquele grupinho metido a macho gritar viadinho, bicha, boiola. A homofobia faz parte da "moral e dos bons costumes". A homossexualidade causou a queda de Sodoma e Gomorra, os homossexuais são condenados ao inferno, ao fogo perpétuo. E depois disso tudo ainda existem os idiotas gays felizes que ainda falam que o mundo é gay. DE ONDE? Será que essas pessoas saem desse gueto gay, com baile gay, festa gay, casa gay, roupa gay, moda gay? (Fiquei sabendo que existe até LIVRARIA gay!). Essas pessoas leem jornais, assistem televisão? A verdade é que esses mesmos já adotaram um estilo de vida excluído. Vivem em seu próprio mundo: são as amigas bichas, que saem juntas pra balada gay, fazem compras no shopping gay e pegam os bofes (geralmente algum machão que se aproveita das gays e ainda se acha machão. Não deu o cu, porque ele seria viado?).