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9 de abril de 2013

O "Outro"

Quero as cartas,
Quero as flores
Destinadas a outro homem. 

Quero o seu toque, 
Quero a sua língua na minha,
Quero a morfina, 
A nicotina,
Qualquer coisa que aplaque a minha ira. 

A segunda opção sou eu,
Segundas intenções,
Segundos contados
Na cama do seu quarto.
A mim só é dado o que sobra,
Resto dos poemas,
Resto das palavras,
Resto dos suspiros.
Quero o que me falta. 

Até quando pretende me manter como amante?
Como saber o que é verdade e o que é mentira?
Como não depender das suas palavras vazias?
Diga-me!
Quais são os sinais?

Somos aqueles que permanecem com o tempo
Quais são os seus anseios?
Do que é que você tem medo?
Conte-me os seus mais íntimos segredos,
Revele-me os seus mais loucos desejos.
Compartilhe mais do que seu corpo.

Quero ser aquele que pode ser visto com você, 
A razão do seu desejo,
Uma foto em um porta-retrato,
O lugar reservado em seu carro.
Quero ser o primeiro na lista do seu amor ambíguo, 
Quero ter seu amor, 
Mesmo que seu corpo seja eternamente dividido.


19 de julho de 2012

Reviravoltas - Parte I




E então ele me pergunta:
- Quem sou eu pra você? O que eu significo na sua vida?
É o fim. Foi o que eu pensei. O fim pra mim, porque, para ele, era apenas o começo. O começo no qual ele sentiria tudo aquilo que eu já havia sentido, no qual ele sofreria tudo aquilo que eu já havia sofrido. Tão fácil livrá-lo de tudo isso. Mas bastava apenas uma palavra, “nada”, e ele seria humilhado e maltratado como eu havia sido.
Voltemos ao começo. Um idiota, romântico e sentimental e o objeto do seu sentimento. O cara desejado, seguro de si, bonito, elegante. Traduzindo: aquele que nunca vai te dar bola! Mas você o ama e o admira. Meio de longe. Afastado. No seu interior você sabe que não passa de um amor platônico, impossível de ser realizado. Foi o que eu pensei.
Um dia começo a olhá-lo, admirá-lo e meu olhar se perde. Ele percebe que está sendo observado, eu não. Quando dou por mim ele está sorrindo. Um sorriso perfeito. Com certeza é um sonho, mas não era. E então ele entra na minha vida. Começa a conversar comigo. E o idiota romântico e sentimental se torna a presa tímida e arredia. E talvez, por isso ser apenas um jogo, tenha durado tanto.
Boatos começam a correr. Na escola, começo a ser observado. Eles dão risadas quando passo. “Foi ele!”. Na sala ainda me olham, ainda dão risadas. Alguns nem sequer disfarçam. “O que será que ele andou falando?”. O pior é que não havíamos sequer nos beijado. Era apenas um jogo. E ele parecia que não estava a fim de desistir, pra ter colocado o jogo em risco dessa maneira. “Talvez não tenha sido ele”. Era a voz do meu coração. “Sim, não foi ele! Talvez seja a minha roupa. Talvez esteja rasgada ou algo assim...”. E eu sabia que não estava. Mas coração é assim... Tão forte que consegue acalmar a voz gritante da razão.
O sinal bate. Era a hora de saber o motivo da minha angústia. E, no corredor, fico sabendo. Ele está lá, com os seus amigos. Olha pra mim e sorri. Mas não é aquele sorriso. É um sorriso cínico, de deboche. E, sorrindo assim, ele caminha em minha direção. Os seus amigos o seguem, trazendo em seus rostos o mesmo sorriso cínico e malicioso.
- Olá mocinha!
Continuo calado, olhando em seus olhos, procurando por aquele olhar que, nos dias anteriores, havia me trazido tanta paz e conforto. Percebi que ele hesitava me olhar nos olhos, agora. O sorriso sumiu. Por alguns segundos. Fixou os olhos nos meus e então sorriu maliciosamente. “Ele não quer fazer isso”, razão e coração sabiam disso. “Mas ele não hesitará em fazer. Um garoto como ele não colocaria sua reputação em risco”.
- Eu disse olá para a mocinha. Ela não vai me responder?
Os amigos dele davam risadas estrondosas. Eu chorava por dentro, mas por fora eu continuava olhando fixamente para ele. Ele procurava não encarar o meu olhar. Olhava para os seus amigos, mostrava as mensagens em seu celular. “Eles descobriram e acuaram-no. Ele teve que fazer isso! Eu sou apenas o bode expiatório...”.
Eu me virei e continuei andando. Fui embora, escutando risadas e mais risadas até chegar ao portão. Nesse momento eu já não tinha mais coração. Esse foi um começo e um fim. Começo de um novo eu e o fim do antigo cara romântico e sentimental. 

*  *  *

Eu sofri. Foram tantos apelidos, tantos boatos. Os professores notavam que alguma coisa estava acontecendo. Minhas notas iam piorando, quase não prestava atenção nas aulas. Fui chamado na diretoria. O diretor perguntou o que estava acontecendo, se eu estava tendo algum problema em casa ou algo do tipo. Como podiam ser tão cínicos? Eles sabiam o que estavam acontecendo. Os professores ouviam os apelidos, as piadas. Muitas vezes riam delas, disfarçadamente, claro. E eu estava lá, na mesa do diretor, ele me perguntando se eu estava tendo algum problema. É óbvio que ele sabia. Aquele cara sentimental, tímido e resignado não diria nada. Mas aquele cara havia morrido. Olhei em seus olhos e disse:
- Tenho certeza que sabem o que vem acontecendo. E tenho certeza também que não vão fazer nada a respeito. Tudo que querem é que eu me foque mais nos estudos.
O diretor ficou um pouco surpreso. Com certeza não esperava uma resposta dessas do “garoto comportado”, que sempre tirava boas notas e respeitava professores e alunos. Mas eu havia ouvido conversas entre os professores. “Ah, você sabe como é a adolescência! Eles ficam tão confusos com tudo. Espero que ele tire isso da cabeça. É um menino tão bom!”. E por que eu não poderia ser um menino bom, mesmo gostando de quem eu gostava?  Não, eu não iria mudar apenas porque eles não aceitavam.
- As minhas notas vão melhorar, diretor. Não se preocupe com isso!
Ele afundou na poltrona, aliviado. Sorriu e disse que já podia ir pra minha sala de aula.
Esperei os boatos da “minha mocidade” sumirem. Fofocas eram o que menos faltavam naquela escola e, depois de uns três meses, eu fui esquecido. Zoar a mocinha da escola já não tinha mais graça porque eu não me importava. Sorria maliciosamente. Era o que eu precisava. Eu voltei a procurá-lo. Agora era preciso mais cuidado. Nada de mensagens no celular ou sorrisos disfarçados durante o intervalo. Saber da sua rotina ajudou com meu plano. Ao acabar a aula e depois de sair aprontando com os seus “amigos” populares ele ia sozinho pra casa. Segui-o. Sozinho, ele era muito mais bonito. Estava andando cabisbaixo, com fones de ouvido e observando as paisagens. Eu me aproximei. Aquela rua era deserta, assim não havia perigo de ninguém nos ver.
- Olá!


Continua...
9 de julho de 2012

Dança rítmica


Nus, prontos pra arte
Pincéis à parte
Suar
Distorcer o rosto
E pintar com gozo requer criatividade.

Possuir o corpo.
Arte das artes,
Gozo dos gozos,
Prazer do prazer.
Ter ou não ter,
Subir ou descer,
Calar ou gemer?

Corpos sobrepostos,
Desejos opostos:
Entrar e sair,
Descer e subir
Sob um desejo mútuo,
Fim eminente:
Prazer infinito!

Uma dança é o que se faz
E o tempo vai trazendo maestria,
O amor vai fazendo a essência
Dessa dança que só se é inocência.
A moral se cala,
O pudor se esvazia
E o corpo se enrijece
Um eterno sobe e desce
Nesta dança rítmica. 


1 de dezembro de 2011

Meu lado sombra reprimido


"Tenho de confessar
Tenho de externar o meu interior
Eu vou sair espalhando o que tenho de pior
Talvez não seja tão ruim assim
Sei que isso vai fazer bem pra mim"

Jovem Poeta 

Eu preciso evoluir. Eu preciso enfrentar e deixar de fugir. Eu preciso deixar de escrever na terceira pessoa no imperativo quando a ordem se refere apenas à mim. Preciso deixar de projetar todos os meus defeitos nos outros. Agora eu tenho a consciência... Por querer cultivar apenas o melhor de mim eu me fecho cada vez mais. Narcisista... Não! Não é essa a palavra. Autocomplacente, talvez... Jogar os meus defeitos na minha cara é a mesma coisa de se condenar ao meu ódio eterno. E isso simplesmente porque não sei encarar os meus defeitos. Saber que sou deficiente em algo ofusca todo o brilho das coisas em que sei que sou bom. Quero ser bom em tudo. Quero todos os elogios, quero todos os olhares e quero apenas aprovações. E a inveja me corrói sempre que alguém ocupa esse meu lugar. A minha língua se enche de veneno para falar mal de todos que me superam e que recebem mais brilho do que eu. Narcisista? Não! Não é essa a palavra. Apenas dependente. Os elogios são as únicas certezas que trago de que sou bom em algo. E se sou criticado... Bem, se sou criticado já não há mais certezas. Eu sou dependente. Dependente da opinião. Quero ser sempre bem aceito. Que se fodam os outros? Não, essa frase nunca foi minha. Mesmo na época em que foi tão usada por mim eu ainda me importava. Eu fazia o que não devia, mas me importava. Teve uma fase da minha vida em que recebi grandes ofensas, altas críticas. Mas foi a fase da minha vida em que eu fui eu mesmo. Foi a fase que, mesmo com toques, ou melhor, empurrões dos outros, eu consegui me desprender do famoso “o que os outros vão pensar?”. Acho que transmiti a ideia errada de que eu não me importo com o que os outros pensam de mim. Eu me importo. Mais do que me importo, eu me alimento do que os outros pensam de mim.
12 de dezembro de 2010

Quando nossos pais se tornam “os inimigos”

A adolescência chega em nossas vidas e com ela o despertar da nossa sexualidade. Talvez com alguns antes mesmo da adolescência, com outros já na fase adulta, mas em algum momento de nossas vidas nos damos conta de que o que é considerado certo pela nossa sociedade não nos interessa e a partir desse momento é como se o mundo todo começasse uma guerra contra nós.
Tudo começa dentro de casa. Para alguns, o que mais machuca, o que mais dói é saber que não somos aquilo que nossos pais esperavam de nós, que eles irão ficar tristes, até mesmo revoltados, por sermos o que somos. Muitas pessoas resolvem adentrar nos chamados “namoro de fachada”. Aquele garoto gay e sua amiga lésbica fazem uma aliança para evitar a fadiga das intermináveis perguntas sobre os namorados/namoradas em casa. Outros mesmo resolvem namorar pessoas do sexo oposto para ver se conseguem fugir desse desejo pelo “proibido” ou também para não magoar os pais.
5 de dezembro de 2010

Mistério

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Não sei se é a calma que rege minha alma
Ou um desespero profundo,
Disfarçado em cansaço.
Na maioria das vezes acho que é a sede...
Tenho sede de viver


E tenho sede de felicidade

Antes eu não esperava nada além da morte
E hoje quero uma vida profunda
Tudo muda, tudo muda!


Os lábios tocando os lábios
A pele roçando, suando e se movimentando
Em outra pele
E as mãos, rápidas, percorrendo toda a extensão, lentamente
Ambos se saciando, se devorando
O proibido por mim esperado
Para que a calma desesperadora pare de me devorar