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18 de dezembro de 2013

Prazer a dois



Debaixo da soleira de uma porta qualquer, 
De qualquer quarto compartilhado,
Acima de chão limpo ou empoeirado,
Por cima de uma grande ou pequena cama,
Albergam-se dois corpos.
Estirados,
Unidos, 
Separados,
Pernas, mãos, braços cruzados.
Difícil definir...

Além dos olhares velados, 
Sorrisos atravessados,
Toques desavisados,
Lençóis desarrumados, 
Corpos desarrumados,
Corpos enlaçados,
Abraços e beijos dados,
Existe algo. 
Dois moços de prazer, por prazer, com prazer...
... Embriagados.

Afinal, 
Por cima de palavras cíclicas de versos repetitivos,
Ou acima, ou embaixo,
Dormem os dois meninos, 
Aquém de pudores,
Convenções
E um futuro escrito ou predefinido. 

Pois a paixão,
O prazer,
Vêm do sorver,
Sem pressa!
a companhia.
23 de fevereiro de 2013

Corrida


Cresce, menino!
Voa pra longe do ninho
Faz do mundo penico
Despeja nele o medo.

Amadurece, semente!
Vira flor,
Vira fruto,
Deixa semente do seu ardor.

Caminha, garoto!
Vá em frente,
Nade contra a corrente,
Constrói um novo mundo com nova gente.

Pode chorar.
Pode cair.
Enxuga as lágrimas,
Levanta daí!
Só não pode parar,
Tem que sempre seguir, seguir.

Apressa o passo, rapaz!
O trem dá a partida
E no embalo da corrida
Te deixa pra trás.
Tem que correr!
Apressa o passo, rapaz!
O mundo é de quem faz
E é pequeno demais pra gente como você,
Destinado a vencer!


10 de janeiro de 2013

Estrofes honestas


 
Pintam o meu futuro
Com as cores mais lindas do mundo.
Sinto medo...
Pra mim é tudo escuro.

Listam minhas qualidades,
Exaltam as minhas capacidades
E eu me afundo em falsidade,
Fingindo acreditar que é tudo verdade.

Ciente dos meus privilégios
E ainda consciente de ter tudo.
Sou um ingrato,
Mas tenho uma tristeza infindável.

Na minha vida
Tudo que tenho são meus quartetos,
Tercetos, duetos,
Versos sem métrica,
Estrofes honestas.
Pedaços de mim...
Tão tristes assim...
4 de setembro de 2012

Namore um cara que lê


“Namore um cara que se orgulha da biblioteca que tem, ao invés do carro, das roupas ou do penteado. Ele também tem essas coisas, mas sabe que não é isso que vai torná-lo interessante aos seus olhos. Namore um cara que tenha uma pilha de três ou quatro livros na cabeceira e que lembre do nome da professora que o ensinou as primeiras letras. Encontre um cara que lê. Não é difícil descobrir: ele é aquele que tem a fala mansa e os olhos inquietos. Ele é aquele que pede, toda vez que vocês saem para passear, para entrar rapidinho na livraria, só para olhar um pouco. Sabe aquele que às vezes fica calado porque sabe que as palavras são importantes demais para serem desperdiçadas? Esse é o que lê. Ele é o cara que não tem medo de se sentar sozinho num café, num bar, num restaurante. Mas, se você olhar bem, ele não está sozinho: tem sempre um livro por perto, nem que seja só no pensamento. O rosto pode ser sério, mas ele não morde, não. Sente-se na mesa ao lado, estique o olho para enxergar a capa, sorria de leve. É bem fácil saber sobre o quê conversar. Diga algo sobre o Nobel do Vargas Llosa. Fale sobre sobre as novas traduções que andam saindo por aí. Cuidado: certos best-sellers são assunto proibido. Peça uma dica. Pergunte o que ele está lendo – e tenha paciência para escutar, a resposta nunca é assim tão fácil. Namore um cara que lê, ele vai entender um pouco melhor seu universo, porque já leu Simone, Clarice e – talvez não admita – sabe de memória uns trechos de Jane Austen. Seja você mesma, você mesmíssima, porque ele sabe que são as complicações, os poréns que fazem uma grande heroína. Um cara que lê enxerga em você todas as personagens de todos os romances. Um cara que lê não tem pressa, sabe que as pessoas aprendem com os anos, que qualquer um dos grandes tem parágrafos ruins, que o Saramago começou já velho, que o Calvino melhorou a cada romance, que o Borges pode soar sem sentido e que os russos precisam de paciência. Um namorado que lê gosta de muita coisa, mas, na dúvida, é fácil presenteá-lo: livro no aniversário, livro no Natal, livro na Páscoa. E livro no Dia das Crianças, por que não? Um cara que lê nunca abandonará uma pontinha de vontade de ser Mogli, o menino lobo. E você também ganhará um ou outro livro de presente. No seu aniversário ou no Dia dos Namorados ou numa terça-feira qualquer. E já fique sabendo que o mais importante não é bem o livro, mas o que ele quis dizer quando escolheu justo esse. Um cara que lê não dá um livro por acaso. E escreve dedicatórias, sempre. Entenda que ele precisa de um tempo sozinho, mas não é porque quer fugir de você. Invariavelmente, ele vai voltar – com o coração aquecido – para o seu lado.Demonstre seu amor em palavras, palavras escritas, falas pausadas, discursos inflamados. Ou em silêncios cheios de significados; nem todo silêncio é vazio. Ele vai se dedicar a transformar sua vida numa história. Deixará post-its com trechos de Tagore no espelho, mandará parágrafos de Saint-Exupéry por SMS. Você poderá, se chegar de mansinho, ouví-lo lendo Neruda baixinho no quarto ao lado. Quem sabe ele recite alguma coisa, meio envergonhado, nos dias especiais. Um cara que lê vai contar aos seus filhos a História Sem Fim e esconder a mão na manga do pijama para imitar o Capitão Gancho. Namore um cara que lê porque você merece. Merece um cara que coloque na sua vida aquela beleza singela dos grandes poemas. Se quiser uma companhia superficial, uma coisinha só para quebrar o galho por enquanto, então talvez ele não seja o melhor. Mas se quiser aquela parte do “e eles viveram felizes para sempre”, namore um cara que lê. Ou, melhor ainda, namore um cara que escreve.”




Créditos: Trecho de livros
3 de julho de 2012

Procura-se




Procura-se:
Um travesso duende,
Traja paletó, luvas e um gorro verde.
É simpático, cordial e sorridente,
Mas não se engane:
 Mais traquinas está pra nascer.
É procurado, quem achar será bem recompensado
Fará feliz a alguém que abandonou a sua infância, o seu passado.

Procura-se, também,
Uma fada diáfana,
Minúscula, de roupas translúcidas.
Deixa um brilho por onde passa
E flores, alegria, músicas.
Traz ela uma grande parte da minha infância,
A minha alma de criança,
Levou com ela minha esperança.

Uma sereia também é procurada,
E essa é mais difícil de ser encontrada.
Cabelo das mais diversas cores,
Um sorriso que não se apaga.
Seu canto é vil e traiçoeiro,
Já matou mil e um marinheiros
Mas sou seu admirador:
Fui arrebatado por seu canto sedutor.
Pra achá-la, sigam a canção...
Tragam-me essa sereia que roubou meu coração!

Mas talvez,
O que seja de mais extrema importância
É que seja achada uma criança,
De coração quente e sonhador,
Dona da imaginação mais fértil,
E pura...
Pura criança e a essência de que elas são feitas:
Esperança, alegria e doçura.
Diga a ela que volte, que sou eu quem a procura.



19 de dezembro de 2011

Do charme dos tímidos



Quando me declaro tímido poucos são os que acreditam. Se cheguei a esse ponto quer dizer que estou segurando a barra legal. Ah, mas quem me conhece, sabe! Aliás, mesmo quem não me conhece pode vir a saber. Basta me colocar em uma situação onde fico vulnerável. Por exemplo, ser paquerado pessoalmente ou pelo celular. Posso ser o cara mais falante do mundo no MSN, mas quando a conversa é cara a cara, ou voz a voz aí a coisa muda... Sou cheio de monossílabos, sim ou não, “aham” ou “uai, não sô”. Olhar nos olhos? Só olho quando não estiver sendo elogiado. Mas o sorriso é constante. Aquele sorriso de lado, sorriso sem graça, sorriso amarelo, como dizem por aqui. Eu, pessoalmente, chamaria de sorriso vermelho porque ele sempre vem acompanhado daquele “rubor” nas bochechas.
1 de dezembro de 2011

Meu lado sombra reprimido


"Tenho de confessar
Tenho de externar o meu interior
Eu vou sair espalhando o que tenho de pior
Talvez não seja tão ruim assim
Sei que isso vai fazer bem pra mim"

Jovem Poeta 

Eu preciso evoluir. Eu preciso enfrentar e deixar de fugir. Eu preciso deixar de escrever na terceira pessoa no imperativo quando a ordem se refere apenas à mim. Preciso deixar de projetar todos os meus defeitos nos outros. Agora eu tenho a consciência... Por querer cultivar apenas o melhor de mim eu me fecho cada vez mais. Narcisista... Não! Não é essa a palavra. Autocomplacente, talvez... Jogar os meus defeitos na minha cara é a mesma coisa de se condenar ao meu ódio eterno. E isso simplesmente porque não sei encarar os meus defeitos. Saber que sou deficiente em algo ofusca todo o brilho das coisas em que sei que sou bom. Quero ser bom em tudo. Quero todos os elogios, quero todos os olhares e quero apenas aprovações. E a inveja me corrói sempre que alguém ocupa esse meu lugar. A minha língua se enche de veneno para falar mal de todos que me superam e que recebem mais brilho do que eu. Narcisista? Não! Não é essa a palavra. Apenas dependente. Os elogios são as únicas certezas que trago de que sou bom em algo. E se sou criticado... Bem, se sou criticado já não há mais certezas. Eu sou dependente. Dependente da opinião. Quero ser sempre bem aceito. Que se fodam os outros? Não, essa frase nunca foi minha. Mesmo na época em que foi tão usada por mim eu ainda me importava. Eu fazia o que não devia, mas me importava. Teve uma fase da minha vida em que recebi grandes ofensas, altas críticas. Mas foi a fase da minha vida em que eu fui eu mesmo. Foi a fase que, mesmo com toques, ou melhor, empurrões dos outros, eu consegui me desprender do famoso “o que os outros vão pensar?”. Acho que transmiti a ideia errada de que eu não me importo com o que os outros pensam de mim. Eu me importo. Mais do que me importo, eu me alimento do que os outros pensam de mim.
16 de outubro de 2011

Coisas nossas


Muito pequenino o menino
Menino pequenino muito grande
Quando monta o cavalo e avoa
Avoado menino-passarinho!
Pássaro cavalo-voador, leva o menino?

Menino e moço, moço-menino
Dois ou um?
Moço monta o cavalo
Menino de carona no rabo
Juntos voam pro alto
E o céu? Céu azul enfim!
Moço-menino e menino-moço
Cuidam um do outro
Dando ao cavalo trotante capim.





E as bactérias no rabo do cavalo
Fazem moço e menino sorrir.
Coisas nossas, só nossas,
Espalhadas aqui e ali...

O fim do dia se inicia
O pequenino menino se entristece
Enquanto o moço é um sorriso de alegria.
A separação não é o fim!
Cavalo alado, moço-menino e menino-moço são livres
E livres estão pra voar um outro dia
E criar mais coisas só deles,
Coisas de não-rotina.

7 de setembro de 2011

Não me importo mais

Fora da linha, garoto fora da lei,
Pecador e pervertido,
Fraco, sensível e medíocre
Confuso, errado ou eternamente condenado ao suplício
Não me importam mais os seus adjetivos
 
Que o mundo não seja igual para todos,
Que o mundo continue insensível,
Que eu seja olhado com desprezo e seja desprezado,
Que eu seja pra sempre o garoto afeminado.
Assim será por muito tempo, até que eu prove o contrário.
 
Mas continue você a ser esse completo otário,
Seja você sempre o “certinho”,
E não saiba respeitar o “lado errado”.
Continue a se afundar em sua ignorância,
Viva sempre em seu paraíso do ódio
E me deixe aqui em meu inferno de amor.
26 de fevereiro de 2011

Saudades…

A adolescência chega nas nossas vidas e com ela percebemos que as pessoas não são tão boas quanto eram conosco quando éramos crianças. Vemos nossos amigos crescendo e matando a criança que tem dentro deles. E a gente entra no mar da vida e nos vemos fazendo coisas erradas e mais coisas erradas que não dão pra apagar e essas contínuas coisas erradas vão construindo a nossa história de vida. E ela fica toda errada!

Os meus verdadeiros amigos que me desculpem, mas pessoas me cansam. Eu me vejo cada vez mais perdido da criança que eu era. Vejo coisas boas, mas as coisas ruins superam essas coisas. Eu, como bom rapaz com alma de garoto, vejo pessoas de todos os tipos. Falsas, pessoas que não gostam de você mas fingem gostar talvez por interesse. As interesseiras que acabam sendo falsas. Essas são as piores. Como é triste perceber que uma pessoa anda com você, uma pessoa está com você todos os momentos não por gostar da sua companhia, mas gostar dos seus favores, gostar que você ouça ela e ela nunca ter tempo ou paciência para te ouvir. E acaba que eu só desconto a minha raiva nas pessoas que mais gosto…
Eu sinto saudades da minha infância. Muitas mesmo. Éramos só eu e minha prima, na imensidão do nosso pequeno quintal. Fazíamos de tudo: desde voar, até cair de uma cachoeira em um barco de madeira. Às vezes fugíamos de casa e aprontávamos na rua. Brigávamos às vezes mas era coisa de criança. No outro dia já estávamos abraçados e brincando novamente. Agora minha prima se refugia nos braços do namorado e eu me refugiei no quarto, trancado, em um computador, ou saindo com os amigos “obscuros”. Hoje vendo uma foto nossa lembrei de uma das melhores épocas da minha vida, quando eu era feliz e sabia, quando a minha única preocupação era qual seria a brincadeira do outro dia.
A maioria dos meus amigos sonham com a maioridade, sair de casa e ter liberdade. Eu não. Eu trocaria todas as minhas chances de me engajar em um relacionamento com algum garoto para voltar à minha infância, quando eu não pensava em nenhum garoto ou garota!