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8 de janeiro de 2013

Insanidade



 Nesta manhã acordei sóbrio,
Tive um sonho:
Você me tomando em seus braços,
A ressaca do amor nos embriagava
E as estações se alternavam.
De repente, eu estava sozinho.
Acordei me sentindo só.
Sóbrio, porém solitário.

Nesta noite, permaneci lúcido.
A Lua Cheia me chamava
E eu me fingi de surdo.
“Sua inconstância não me afeta mais”,
Gritei, raivoso por fora, vazio por dentro.
“Mãe!”.
Eu chorei, olhando para a Lua.
Sorri, louco novamente.

Nesta tarde adormeci.
O calor tirou a minha roupa.
Ou fui eu?
Nu, o desejo me consumindo,
Meu corpo todo enrijecido.
Sangue, calor e desejo querendo alimentar meu vício.
Meu corpo quer seu corpo.

Sou um monstro,
Mas eu amo.
“O sentimento é começo da razão!”,
Lembrei-me.
Eu amo!
Não sou um monstro louco.

Rotina do nosso amor


Eu amo você todo santo dia
E eu te amo também nos dias de rotina.
Segunda, de manhãzinha, você é o meu primeiro pensamento,
“Eu te amo”, é o que eu me lembro.
E, no decorrer do dia, tudo me lembra você
O que eu posso fazer?
E, todo santo dia, a gente se vê.

Na terça-feira ainda sou seu
Revivo novamente tudo que entre nós aconteceu
A saudade começa a me sufocar
E, toda noite, tenho de suportar.
Na quarta, hesito em te procurar
Chorando, na noite de quinta, desisto de te amar.

Ainda sou seu na sexta-feira
No sábado deixo de ser besta.
Eu me entrego e você me ouve
E, no domingo de manhã, o seu amor me consome.
O ciclo nunca termina, apenas se modifica
E eu continuo te amando
Todo santo dia.
6 de janeiro de 2013

Passagem


kiss - Roy x Brian     by *Cris-Art  http://cris-art.deviantart.com/gallery/?offset=120#/d3g2qjs


“É só aqui que podemos nos encontrar.”
O sol se põe,
A lua aparece,
Majestosa, suprema, rainha do céu,
Portadora da noite.
Tudo é silêncio na passagem,
Dentro dessa paisagem.

É só aqui que podemos nos encontrar.
Dentro do silêncio,
No interior das minhas memórias.
Sozinhos...
Livres, enfim, de todas as promessas,
Expectativas,
Inseguranças!
Mas e as boas lembranças?

É só aqui que podemos nos encontrar.
Eu sei onde você está,
Mas resolvi não procurar.
Adeus!
A lua se vai
E o sol aparece, tímido.
A fidelidade a você um dia vai me deixar
Enquanto isso,
É só aqui que podemos nos encontrar.
5 de janeiro de 2013

Homem de cor




Há, dentre as cores, aquelas que se destacam,
Algumas que deveriam trazer vergonha e culpa.
Há de se ver, porém, que o ódio vermelho que te marca
Não é cor ou fato que me preocupa.
Sou aquele que provoca o seu horror,
Sim, eu sou um homem de cor.

Há, dentre os homens, aqueles que se destacam,
Muitos que se atolam em ignorância,
Julgam, matam e humilham aquilo que denominam ‘raça’.
O que nos aflige também é o que nos cansa.
Indagamo-nos: convencimento ou falta de conhecimento,
Julgar um e outro por um simples pigmento?

A antipatia à nossa cor é implícita,
Nossa altivez, nossa cor: explícita!
E não são eles os bravios,
Brancos, fortes e destemidos?

Do que têm medo?
Serem presos por ódio a um negro?
Não são eles a quem nada abala?
Do que têm medo?
De uma simples senzala?

Há, dentre as cores, aquela que nos define:
O negro, o escuro...
A ausência de cores deste mundo,
Em que a união suprema e soberba de todas elas não nos atinge.