Copyright © Palavra-poeta
Design by Dzignine
13 de janeiro de 2022

Pílulas

 

No caminho engoli algumas pílulas
Dissequei algumas firulas
E escutei você falar de dores que não são suas
E me calei.
Eu não gritei.
Eu deveria.
Eu não chorei,
Quando eu podia.

O galo não cantou três vezes,
Mas eu não hesitei em negar
O sangue que corre nas minhas veias.
Porque tem dias que falar me incendeia
Mas negar não me alivia
E, no final, eu sofro calado.
O sangue que corre nas minhas veias é o meu fardo
Crime do qual me sentenciaram culpado
Depois de lavarem suas mãos, tal qual Pôncio Pilatos.

No meio do caminho eu tropecei no precipício
E, mais uma vez, não cai.
O precipício é um velho amigo
Que os meus pés cansados rodeiam
Num ciclo de vícios e resquícios.
Só quem nunca se deixou cair (ou quem sobreviveu à queda)
Sabe o que é isso.
Suplício.

Hoje eu falo.
Porque tem dias que falar me incendeia
E negar nunca me alivia,
Mas escrever me aconchega.
E em dias como aquele, onde um pedaço de papel ousou tentar me destruir,
Eu luto, em luto eterno, para que o sangue que corre nas minhas veias
- Se não pra mim, para quem há de vir -
Nunca possa me definir
29 de agosto de 2020

Cidadão de bem


Questionar é proibido

Mimimi

Fui criado na base do rito

Silencio 

A dor da dor pela qual não me sensibilizo

E repito

Pra mim, pros outros, praqueles com quem convivo

Coitadismo 


O mundo tá careta

Não posso chamar gay de viado 

Nem insultar uma mulher preta

Cala a sua boca e não me julga

Me olha de baixo pra cima e se situa 

Sabe com quem tá falando, seu pária?

Não sou gente da sua laia

Sou cidadão de bem 

Bíblia debaixo da mão, arma apontada pra sua cara


Não tomo vacina

Só paquero as novinha 

Feminismo é meu saco

Lugar de mulher é na pia

Deus, Brasil, família 

Minha mulher limpando minha sala,

Meus amante chupando minha pica


Que mané privilégio,

Papo de comunista

Bom mesmo era na ditadura,

O auge da nossa economia

Se liga!

A terra é plana,

Mas ela gira 

Não uso máscara, nem vem me falar de vacina 

Essa tal de covid já deu,

É mentira 


Lula perdeu, babaca

Porque PT é partido de ladrão

Agora a direita que manda

Sou cidadão de bem, meu irmão 


Abaixo a hipocrisia

Viva Ustra, o terror da dona Dilma

Se liga!

Pros pobres duzentinho de auxílio,

Pros meus filho

Se liga,

É rachadinha


Sou cidadão de bem, meu irmão 

Só falar de família

Que os bobão acredita


16 de julho de 2020

Poderia



Eu poderia te amar
Sim, poderia!
Veja só que ironia!
Eu poderia te amar em outros tempos, 
naquela minha outra vida
Se me olhasse nos olhos
e lesse minh'alma,
entenderia

O amor há de nascer um outro dia,
Você me dizia,
E os meus olhos marejavam,
Calejados da habitual maresia
Eu duvido, respondia
E o coração palpitava
A palma da minha mão tremia
Seus lábios buscavam os meus
E eu fugia

Eu poderia te desejar
Veja só, eu queria!
Mas olhar nos olhos - e desejar!
Não basta,
Pois isso eu fiz, de novo faria
Ter seu corpo ao meu não diz nada
Quando o coração não quer mais poesia

E então, você me indagava
Pra sempre será você mesmo sua própria companhia?
E eu sorria
Veja só, que alegria
Só ou acompanhado,
essa é a única certeza que tenho quando me deito no final do dia

Que vida estranha,
vida vazia,
era o que você repetia
E o meu coração temia
Mas nada é pra sempre
Ser humano é afato,
Coração quer poesia
Hoje eu me deito
E durmo
Não desejo o amor como companhia
Um dia...
Veja só, eu dizia
Talvez você ou alguém volte a ser o desejo do final do dia

Hoje eu poderia te amar, 
Poderia,
Veja só, a ironia...
Po-de-ria...
22 de dezembro de 2019

Pele com pele



Pele com pele,
poema,
Seus lábios de mel
e o doce aroma que é seu,
o céu da sua boca,
estrela,
Cai do céu e incendeia
O meu corpo, sem roupa,
tapete, carpete, toalha, meia,
Peças jogadas,
no chão, colchão, areia
Duro como pedra,
Mole como pluma,
Entregue
como... só você consegue.
Torpe,
cruel,
me provoca e me arranha,
cê me bate, eu apanho,
cê cospe, eu engulo
e o seu toque me percorre,
seus dedos já me conhecem
e a sua boca não diz nada,
já diz tudo
Arrepio mudo,
Grito,
Peço arrego,
aconchego,
afeto, tato
cê me abraça, estremeço,
cê me ama, não me esqueço
E cê dentro de mim,
eu dentro docê.
Doce,
Suave,
Forte
ou violento
é o nosso ato de amor, nego,
é sexo,
vem sem moderação e sem receio.
17 de outubro de 2019

O sangue que corre nas minhas veias


Cuidado!
É o que vão dizer,
Disseram,
Ainda é dito:
Perigo.

Cuidado,
Sai dessa!

Tranquilo!
Já me conformei com o aviso,
Estou vacinado e fui circunscrito

Ao sangue que corre nas minhas veias,
À sina que se fez escrita,
Aos dias contados que, supõe-se,
Delimitam os traços da minha vida

Cuidado!
Tranquilo!
Cuidado!
Tranquilo!
Olá! Adeus!

Disseram:
- É dito! –
Fez-se sina de morte em vida,
Companhia maldita,
Viram-se os olhos, erguem-se as sobrancelhas:
Cuidado!
Coitado!
Fez-se resultado em vida da sina de todo viado:
Companhia maldita,
Justiça divina

- Cuidado!
Mas antes...
- Perigo!
... me ouça:
- Cuidado!
Sou mais do que...
- Sai dessa!
... o sangue que corre em minhas veias

Nem coitado,
Nem maldito,
Sem “Cuidado!”,
Deixa disso:
Não há perigo
Tem desmedido o seu receio
O sangue que corre em minhas veias



Só irá penetrar de um jeito:
Fazendo gozar pra fora, esporrar, leitar
O excesso do seu preconceito

Cuidado!
É o que vou dizer,
Já disse,
Ainda digo:
Perigo!

Cuidado!
Sai dessa!

Tranquilo!
Num mundo sem sangue exposto,
Um pensamento tão rústico
Só tem um destino:
Deposto,
Extinto.

Está com seus dias contados,
Cuidado!

20 de julho de 2019

Catarse de Natal



"Ao contrário dos outros Natais, eu resolvi fumar um baseado antes da ceia. Talvez mais de um. Ou três. As coisas ficaram um pouco embaçadas. Por isso, eu não sei dizer muito bem quando as coisas começaram a esquentar: talvez tudo tenha começado quando a Nat soltou que a Ana era gata demais e o Rô fez uma cara maliciosa que não agradou nem um pouco a minha amiga; ou talvez quando a Fernanda lançou que a solução para o Brasil seria a intervenção militar, logo depois de falar que o funcionalismo público no país era uma “máquina de sustentar vagabundos”; pode ser que tenha sido quando a minha mãe “acidentalmente” derrubou vinho no vestido branco da Fernanda. Mas de uma coisa eu tenho certeza: o negócio pegou fogo mesmo quando o Juninho perguntou onde é que eu tinha “pegado AIDS”. Nessa hora todo mundo ficou calado. E eu achando que tinha me livrado da tradicional guerra de Natal...

Eu senti uma coisa estranha na hora. Não sei bem o porquê. Talvez por causa do baseado, pela presença da Ana, pela raiva que eu ainda tinha guardada pelas coisas que o Juninho tinha me falado ou talvez por tudo isso junto. Naquele momento me veio um déja vu que não era bem um déja vu porque eu nunca tinha sentido isso antes. Eu entendi que nada ia ser do mesmo jeito, mas que de certa maneira tudo ia continuar igual. É estranho, eu sei. O Juninho continuaria implicando comigo em todo Natal, porque eu sou aquilo que ele quer desesperadamente extirpar de dentro de si. A minha vó vai continuar trazendo salpicão. O Rô vai trazer as suas namoradas e a gente vai se envergonhar por elas presenciarem essas brigas de família. Mas as coisas não seriam as mesmas. A Ana estava ali, cara. Cara... Isso me lembra o Saulo. Outros Saulos vão aparecer. Pessoas que querem conversar comigo porque estão no mesmo barco que eu. E eu vou beber os meus remédios, todos os dias. Vou ter que me preocupar com a minha saúde de um jeito que eu nunca tinha me preocupado antes. Eu vou ter que sair do armário e declarar a minha sorologia para todo e qualquer cara com quem eu queira me relacionar. Uns vão quebrar a minha cara. Outros vão me surpreender. Outros vão simplesmente sumir. E tudo bem. Eu senti uma paz tão grande naquele momento, me deu uma vontade enorme de abraçar o Juninho e foi o que eu fiz. Comecei a dar uma gargalhada muito gostosa porque ele fez uma cara tão assustada e isso foi muito engraçado. A Ana disse que todo mundo ficou me olhando, mas na minha cabeça estava todo mundo rindo comigo. Eu acho que eu vou chamar isso de catarse do Natal. Uma coisa bem Clarice Lispector.

Depois do abraço, o Juninho ficou muito, muito estranho. Acho que ele precisava que eu gritasse com ele. Ele precisava que eu me sentisse pra baixo. A vitória dele era a minha tristeza. Mas dessa vez eu não fiquei triste. Eu não vou mais ficar triste por causa do Juninho. Eu não vou mais ficar triste por causa do que as outras pessoas vão pensar.

Vou pensar positivo. É isso. Positivo.
23 de maio de 2019

Silêncios




Há tempos perdi a sutileza,
há tempos perdi a perícia
das palavras tecer a proeza
de captar quem o coração cativa

O desejo é o meu maior obstáculo:
a sua boca faz dele o meu susserano,
o seu corpo faz de mim dele vassalo.
Ver-te nu, em pelo, o desejo diz, sussurrando,
E meu desejo de saciar o desejo... eis aqui agora um escravo

Perco as palavras,
Troco as sílabas,
Erro as letras,
Confundo as rimas,
Sofro de silêncios,
Eu, logo eu, cantor sem fim de poesias

Há tempos - há de se dizer porém -
que o amor me virou o rosto,
revirado em desgosto,
não me dá um vintém.
Há tempos, eu assumo:
não amo ninguém.
E, assim sisudo,
de tempos em tempos,
sem por que, nem por quem
de morrer de amores procuro,
faz-se a semente,
cai-se o fruto,
não tão verde, tampouco maduro,
Pode-se dizer,
Qualquer um argumentar,
Por que lágrimas por palavras
sem fé delas o amor despertar?


6 de março de 2019

Ensinaram-nos a definição errada de amor



Crescer não é fácil. Amar também não. É o que dizem. E o que é o amor, afinal de contas? Todo mundo tem suas próprias definições, mas em uma coisa todos concordam: é compartilhar bons momentos com alguém que é especial. Todo o resto é acessório. Queremos a segurança de que esses momentos se repitam e aí criamos contratos, modelos e histórias. Mas não é o contrato, tampouco o modelo e nem a história. Ele é o momento, dentro do momento. O amor é quando você me olha nos olhos e congela o tempo. Quando ele passa, se torna saudade e quando a recordação é maior que a vontade de voltar novamente, o amor se torna lembrança. Quando o anseio é repeti-lo, transforma-se em expectativa e quando o medo de não repetir sufoca, o amor vira apego. E o apego é o começo do final do amor. Porque amor não vive no passado e nem é garantia, no futuro. Ele está ali, apenas no momento.

Sendo assim, não posso dizer que o amo se não estou te amando, pois não é amor o que eu sinto. É saudade de você. Tampouco posso afirmar que te amo quando sonho um futuro ao seu lado, pois expectativa não é amor. Não é amor a promessa (e a ação) de estar sempre junto a você. Isso é lealdade, quando ainda há afeto, e apego, quando o compromisso é maior que o amor. Medo da solidão, no segundo caso. A fidelidade não é amor, porque o amor não é sexo, apesar de sexo, às vezes, ser parte do ato do amor. E a fidelidade enquanto promessa é infrutífera. Lembre-se: o amor não é garantia. Sendo assim, o amor não pode ser sinônimo de dor, pois quando o amor acontece (e o amor só acontece no agora) ele não dá espaço para outra coisa a não ser ele mesmo!

Essa minha definição de amor é tenebrosa, eu sei, porque ela retira do sentimento toda a obrigação de perenidade. Todas as inseguranças e regras deixam de ser amor. Mas o amor é assim, efêmero, mas gratificante. Tudo que eu já disse sobre o amor tornou-se, então, mentira. Mas não se preocupe, tudo que nos ensinaram sobre amor estava errado. É triste ver que muitas pessoas ainda carregam a potencialidade de amar, mas são sufocadas pelos sentimentos que rodeiam o amor. O amor está além das definições e ele aceita tudo, menos que não seja recíproco. O orgulho não, o ciúme não, a insegurança não, o amor sim.

Eu não posso e nem devo prometer nada, mas já prometi demais. Não posso e nem devo esperar, mas já esperei. E não posso garantir que não serei afetado por tudo que cerca o amor. O mais certo é que eu seja. Peço paciência. Alguns esperam mais do amor do que outros. Mas quando estou nos seus braços, o tempo ainda congela. Vejo que ainda te amo. Nada mais importa.



Publicado originalmente em © obvious: http://obviousmag.org/amoral/2016/02/ensinaram-nos-a-definicao-errada-de-amor.html#ixzz5hQyHtIyw
1 de julho de 2018

Moço



Afogar-me-ei em seu corpo, moço
E, em louvor, afagarei seu rosto,
Na sofreguidão de minhas mãos massagearei seu dorso,
Em êxtase, sem pressa, mergulhado em nosso esforço,
Levar-te-ei ao gozo,
E por fim, desfalecerá tua cabeça em meu pescoço.

Nesses frios de inverno, moço,
Aqueço sua alma com meu corpo
E desnudo-me, em pelo, em frente ao seu olho.
Feche as pálpebras, garoto,
Homem, menino, moço.
Cantar-te-ei meu verso insonso
Nessas rimas pobres em riqueza
E ricas em desgosto.
Mas deixa-me,
Deixe-me arder nesse seu fogo, moço,
Que a noite é longa
E o nosso desejo de amor, duradouro.

Leve essas palavras,
Moço!,
Sem julgá-las.
Delicie-se com os versos
Proferidos, concedidos, comedidos
Em sua falta de nexo
E que seu calor sobre o meu calor
Não profanem o sacramento do nosso sexo.
25 de fevereiro de 2018

Divagações de uma Vênus em Virgem



Queria eu ter o olhar diáfano,
etéreo
e aberto de uma Vênus em Peixes,
que vê a alma
antes da matéria do corpo.

Imagine apaixonar-se iludidamente inconsciente
da sua própria ilusão?
Que loucura será enxergar o outro
por além da assimetria de 3,5 cm
entre as duas metades do seu rosto
e aquela mania irritante de não saber puxar assunto?

Ah...
Que sonho...
Que sonho não ter esse olhar calejado,
viciado em sobressaltar imperfeições,
e essa indisposição de diálogos vazios,
roteiros pré-definidos,
toques clichês e
rostos que não chamam a atenção.

Pense bem na sorte de uma Vênus em Libra
que se delicia em dar prazer,
sem refletir se a sua beleza combina com a minha,
ou se aquela toalha molhada em cima da cama
é reflexo do seu desleixo,
falta de tato ou, pior!
Será seu hábito?

Poxa,
Deve ser um alívio
não pensar em tudo isso.

Mas será que elas têm essa mania de ler os sinais,
Decorar seus hábitos, gostos e desgostos,
Essa insistência em embrulhar o presente
com laço vermelho, dourado e prata
porque no dia 25 de setembro você disse
que nunca ganhou um presente assim?

Será?

Que elas se dedicam a colocar três colheres de açúcar
no café da manhã,
dar bom dia, boa tarde e boa noite, religiosamente,
como quem leu naquela revista
que o amor, pra durar, pra valer, pra merecer,
tem que ser assim?

Será?

Que quando enfim se encontram,
mesmo sabendo dos defeitos,
mesmo consciente das imperfeições,
mesmo vazias em ilusões,
mesmo submersas na matéria da realidade,
elas têm a paixão pelos detalhes?
Pela cor reluzente da sua pele morena,
os olhos castanhos que brilham com mais afinco
no sol de fevereiro,
porque é o seu aniversário,
e o sorriso harmônico com seus 28 dentes perfeitamente alinhados.

Acho que não
Mas ainda assim...
Ah..
Que sonho...


1 de dezembro de 2017

Amores líquidos



Eu passeei as mãos pelos cabelos dele. Ele ronronou, como um gato. Pelo hermoso. Fixei meus olhos em seus olhos castanhos, deitado ao seu lado. A chuva caía. Cenário de filme de amor. Ensaiei me levantar, mas ele segurou meu braço:

- Fica.

Fiquei. Ele continuou a me olhar. Em dias de carência como esse, uma chuva, um par de olhos castanhos que não desviam dos nossos e um chamego são a mistura perfeita para um desastre.


- - - 

- E como se conheceram?

- Numa noite de novembro. - eu disse.

Não contei que eu sabia a data. Não mencionei que eu sabia a roupa que ele estava, as palavras que havia me dito, como havia sido o seu toque no meu corpo, como dormimos abraçados a noite toda e como ficamos o dia e a tarde de domingo juntos.

Não contei como foi o pedido ruidoso e silencioso. Não contei da camisa preta e da chuva quando achei que era o fim, mas não foi. Não, não poderia falar sobre todas as suas manias, tiques e como ele beijava a minha mão.

- Mas nem lembro mais dele.

- - - 

Eu liguei o celular pela milésima vez. Vi seus olhos verdes e seu cabelo loiro na foto do perfil do WhatsApp que havia acabado de me responder.

Seus olhos verdes.

Ele estava lá, na porta. Riscando o tênis no chão, sozinho em meio a multidão. Mas ninguém ali tinha seus olhos verdes. Ele me viu. Sorri. Ele sorriu. Seus olhos verdes brilharam.

Pronto. Fui fisgado. A merda tava feita.

- - -
Ele insistiu.

Eu dei pra trás. Já estava deitado.

- Tô aqui na porta da sua casa.

Louco! Desci e o beijei, dentro do carro. Ele colocou Adele para tocar e a sua mão direita na minha coxa esquerda e sorriu pra mim. E ali, dentro do carro, eu já tinha a poesia da nossa noite pronta na minha cabeça.

- - - 


"Baby, this is what you came for..."

Ele tocava violão. Ele era bonito e tinha uma voz bonita. A gente conversava e sorria. Mas ele era de Sagitário e eu tinha 21.



- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 
6 de novembro de 2017

Por onde andas?

"A emoção acabou, que coincidência é o amor. A nossa música nunca mais tocou."
Codinome Beija-Flor 



Onde foi que eu me perdi?
Eu me perguntei. Eu me pergunto, com a mesma dúvida desoladora dos últimos dias. Onde foi que eu me perdi?
Lembro da inocência dos dias tranquilos, onde os cafunés eram abundantes e se excediam às cruéis despedidas. Nesses dias o amor (ainda) existia. E mesmo quando acabava, a esperança não dava lugar ao vazio. Há sempre uma nova estrada a ser percorrida.
Onde foi que eu perdi?
O encanto sutil dos encontros, o ajeito suave do cativar, a lentidão de se desnudar a alma e a alma alheia ser despida. O toque sincero e honesto nas pontas dos cabelos, o beijo... Os beijos! Ah, as incursões aos lugares onde a paixão poderia desabrochar, o calor dos corpos que se aquecem e o emaranhado de poesias que o amor traz.
Por onde andam os meus sentimentos?
O que foi feito do meu coração?
...
Pois há que se dizer que os cacos estão jogados. Perdeu-se a poesia dos últimos dias e a arte, que era o amor, era o amor, foi-se embora. Estamos blindados. Cadeados. Muralhas.
28 de agosto de 2017

Deixa


Deixa crescer
Assim, sem tanto alarde,
Florescer 
Em flor, amor, 
Pele cor de pêssego
Paixão de fogo
E olhar de desejo. 
E que não fiquemos assim,
Tão covardes, 
Com esse súbito sentimento
Que nos invade.

Deixa.. 
Deixa arder em nós, 
Cala a minha voz
Com seu beijo 
E adoça o meu olhar com teu cortejo 
Olhos de ensejo, 
Que o amor é eterno, 
Mas o nosso toque é efêmero.

Deixa...
No meu rosto, 
No meu corpo, 
Nas dobras todas do meu pescoço, 
Um carinho, 
Um chamego, 
Aconchego
Deita nos meus ombros e diz pra mim todos os seus medos.
Deixa...
Eu enrolar os seus cabelos, 
Matar sua insegurança com meus beijos 
E ser seu, 
Por inteiro.

Deixa?
Deixa?
Deixa... 
Percorrer a estrada
Com suas mãos atadas às minhas 
E selar nossos lábios com poesias, 
Olhar as constelações,
Dormir de conchinha
E casar nossos sonhos 
De ser uma família.

Deixa...
Eu ficar solitário 
Quando não quiser companhia?
Deixa eu cantar seus méritos nessas pobres rimas?
E zelar pelo seu sono 
Quando a insônia insistir?
E eu prometo que serei seu porto seguro
E eu deixo...
Eu deixo minha liberdade não ser um empecilho, 
Eu não deixo meu jeito frio ser nosso inimigo, 
Eu luto por você. 
Você luta comigo? 
Pra gente não desistir,
E quando precisarmos ir, 
Que seja dito.
E eu não vou sumir 
Porque eu não desisto.
Serei seu, 
No ontem, no agora e no infinito.

Você só precisa deixar. 
Deixa?
22 de julho de 2017

Seus olhos verdes



Seus olhos verdes deveriam estar emplacados:
“Cuidado!
O perigo aqui está abrigado”.
Faltou cautela de minha parte,
Sua voz macia nocauteou-me
E o lento e tênue toque de nossos lábios
Só aumentou a minha vontade.

A falta de enlace era a minha intenção,
Mas sua mão quente contra o meu corpo frio
Não me deixou outra opção:
Você venceu o embate,
Colocando em destaque os desígnios do coração.
E eu, que de tanto ouvir a razão evito o ataque,
Tropecei na sintaxe,
Revertendo os elementos da habitual oração.
Como um sujeito à paixão refratário
Iria adivinhar que cairia por tais predicados?

Seus olhos verdes deveriam ser murados,
Cercados, cerceados.
Cuidado ao me olhar novamente
Com esses olhos amaldiçoados,
Pois há de me encantar com esses olhos de serpente,
Cujo veneno confunde e entorpece,
Desnorteia e enlouquece,
Afrouxa as marras e aquece
A minha mente.

Pois...
Ah...
Não preciso ser adivinho
Para adivinhar,
Não preciso de bola de cristal para vislumbrar,
Não há necessidade de me avisar,
E não há conselho que possa evitar
Que esses olhos verdes ainda hão de me desnortear.
Deixe, moço loiro dos olhos verdes,
Esverdear em nossos corpos e almas
Essa conexão ou então,
Deixe seguir em firmeza e convicção
A estrada que, antes dos olhos verdes,
Seguiam, tão firmes, tão certas, tão leves,

As batidas do meu coração. 
16 de junho de 2017

Desromantizando o amor



Ninguém é obrigado a te fazer feliz. Você não precisa de ninguém para ser feliz. O amor que você dá e os cuidados que você dispensa a alguém não tornam-se, automaticamente, uma dívida: ninguém é obrigado a pagar pelo carinho que você compartilhou. O amor não é uma moeda de troca. 

Você não "precisa" de alguém e ninguém "precisa" de você. O amor não é uma prisão sem chave: você pode sair quando não estiver se sentindo bem e a outra pessoa também não é obrigada a ficar onde não quer. Você não precisa suportar os defeitos de ninguém, assim como ninguém precisa suportar os seus defeitos, se toda essa convivência faz com que no final do dia ambos estejam saturados. Você não é obrigado a estar, ficar ou tornar-se infeliz por "amor a alguém". 

Nenhuma garantia será suficiente para aplacar a sua insegurança: contratos, promessas de amor eterno e cerceamento da liberdade não são amor. Você não precisa deixar de fazer as coisas que gosta porque está com alguém. Você não precisa sacrificar os seus sonhos, desejos, vontades e necessidades por alguém e ninguém precisa sacrificar necessidades, vontades, desejos e sonhos por você. Ninguém é obrigado a gostar das mesmas coisas que você porque "se apaixonou por você". Amar não é antônimo de liberdade e sinônimo de sacrifício. Amor não tem que rimar com dor. 

Se alguém pede que você se afaste das pessoas que você gosta "por amor", afaste-se dessa pessoa. E, nunca, nunca, nunca abandone os seus amigos por influência das pessoas com quem você se relaciona. Amores vem e vão, mas dizem que as amizades verdadeiras permanecem ao longo do tempo. 

Ninguém nunca vai corresponder às suas expectativas e você nunca corresponderá às expectativas de ninguém. Você não precisa se adaptar às expectativas de alguém: é necessário, apenas, respeito. Respeito pela história da pessoa com quem você se relaciona, que tem uma vida que não depende de você. Amigos que ela conheceu antes de você, sonhos que ela teve antes de te conhecer, pessoas com quem ela se relacionou antes de você e talvez ainda mantenha contato, uma família que sempre estará lá, quer você queira ou não, e uma vida inteira pela frente, que seguirá, com ou sem você. Você não é insubstituível na vida de ninguém, mas será sempre inesquecível se conseguir manter o interesse, respeitando a personalidade, a história, os amigos, a família, os sonhos e a liberdade da pessoa que, hoje, você ama. 

Mas o amor não precisa ser eterno. O amor não precisa ser eterno. O amor não precisa ser eterno. O amor não precisa ser eterno. Repito: o amor não precisa ser eterno. E se ele acabou, não quer dizer que ele nunca existiu. 

Uma relação não se faz só de amor e o amor, somente, não consegue sustentar uma relação. É preciso disposição, respeito, muito respeito, desapego e honestidade. É preciso disposição porque às vezes a outra pessoa vai te cansar e você, inevitavelmente, vai cansar a outra pessoa. Mas se ainda houver disposição vocês vão conseguir se relacionar. É preciso respeito, muito respeito. Respeito é primordial. Respeito pela história da pessoa com quem você se relaciona, que tem uma vida que não depende de você. Amigos que ela conheceu antes de você, sonhos que ela teve antes de te conhecer, pessoas com quem ela se relacionou antes de você e talvez ainda mantenha contato, uma família que sempre estará lá, quer você queira ou não, e uma vida inteira pela frente, que seguirá, com ou sem você. Você não é insubstituível na vida de ninguém, mas será sempre inesquecível se conseguir manter o interesse, respeitando a personalidade, a história, os amigos, a família, os sonhos e a liberdade da pessoa que, hoje, você ama. É sempre bom repetir. É preciso desapego, porque ninguém consegue preencher completamente ninguém. Você nunca será o centro da existência da outra pessoa e é saudável que você não coloque a outra pessoa no centro da sua vida. É preciso desapego porque ela olhará para o lado, por mais que você tente tapar os seus olhos. Ela irá conviver com outras pessoas, por mais que você tente mantê-la na torre do castelo do seu amor. Essa pessoa poderá envolver-se com outras pessoas, sexualmente, afetivamente, e isso não quer dizer que ela não te ame. A prisão não garante a perenidade do amor. É preciso honestidade e, sobretudo diálogo, porque pessoas ainda não possuem o dom da telepatia. As pessoas não vão adivinhar o que você sente, deseja e precisa, a não ser que você diga, diretamente, sem palavras, meia voltas, indiretas e enigmas. Por mais que alguém te conheça, anos e anos, décadas, essa pessoa nunca vai adivinhar. Discussões são necessárias, mas brigas devem sempre ser evitadas. 

Não existe a pessoa perfeita, não existe alma gêmea, ninguém tem a "tampa da panela" ou a "metade da laranja" porque somos pessoas completas. Imperfeitas, é verdade. Carentes de amor, cuidado, carinho, proteção, chamego, diálogo, sexo também. Mas ninguém é obrigado a nos oferecer nada disso e não iremos morrer se alguém recusar as nossas propostas em compartilhar todas essas coisas. 

Não sou uma dessas pessoas que fingem uma completa desconstrução e o mais perfeito dos desapegos. Sou também imperfeito. Também sinto ciúme, carência, raiva, insegurança, medo de perder e tristeza quando as pessoas que amo têm de ir. Mas mantenho todas essas coisas na cabeça, acreditando que, por mais clichê que possa parecer, uma hora temos que aprender que é melhor estar só, do que mal acompanhado. 


12 de junho de 2017

O colecionador de estrelas


Ele colecionava estrelas. Estrelas são essas coisas que brilham e ofuscam os olhos. Outras vezes se movem e as pessoas juram que elas caem do céu. Enfeitam a escuridão e iluminam as horas sombrias. São fonte de poesias e musas inspiradoras. As nuvens tapam sua luz, mas não escondem o seu brilho. Mesmo a Lua, em todo o seu esplendor, só faz refletir o seu iluminar. 

Ele havia sido a estrela da vida de alguém. As pessoas não se esquecem das estrelas e eis que não se esqueceriam dele, mesmo que andasse por aí com a pretensão de não querer se apaixonar. Tinha a ousadia de não se envolver. Quando todos queriam ser estrela, ele queria a calma de um céu preto. Ele já havia sido a estrela na vida de alguém. Sabia, com a certeza brilhando nos olhos, que ser estrela é um trabalho de muita responsabilidade. 

Ele colecionava estrelas. Estrelas são essas coisas que brilham e ofuscam os olhos. Apertam e enternecem o coração. Têm o calor das mãos que seguram outras mãos e andam, mãos dadas, lado a lado. Fazem cafuné nos cabelos e dormem de conchinha para aquecer nos dias frios. Esquentam o corpo, pele na pele. São portos seguros. Enfeitam a escuridão e iluminam as horas sombrias. São fonte de poesias e musas inspiradoras. Os dias ruins tapam sua luz, mas nunca escondem o seu brilho. Outras vezes se cansam e as pessoas juram que elas acabam. Mas mesmo o fim, em todo o seu esplendor, só faz refletir o seu iluminar. Estrelas nunca morrem. Explodem em lembranças de amor. 
12 de abril de 2017

O signo de Libra



Começo com todo o cuidado para falar de um dos signos pelos quais tenho maior admiração. A primeira coisa que me vem à cabeça quando penso nesse signo é que ele é domicílio de Vênus, o planeta do amor e da beleza. E são pessoas extremamente belas e que tentam tornar tudo que tocam um pouco mais bonito. Gentis, simpáticas, sociáveis e extremamente educadas, essas pessoas andam pelo mundo conquistando a admiração e o coração das pessoas. Se não é bonito, é fofo. Se não é fofo, se veste bem. Se não se veste bem, é educado. Se não é educado, é artista. Ou tudo isso junto. Geralmente quando falam de pessoas que tem esse signo forte no mapa, a expressão das pessoas muda instantaneamente, quase sempre acompanhados de um "own...". Não é por acaso. Além de domicílio de Vênus, é exaltação de Saturno: é pesar cada palavra, pensar em cada ação, calcular milimetricamente cada atitude. Muito por conta da queda do Sol, de colocar sempre os outros à frente de si mesmos, de não querer magoar, de não querer causar uma impressão ruim, de não querer ferir os sentimentos de ninguém, de não querer ter contato com as coisas ruins. Isso cansa. Cansa muito. Ser o signo mais racional do Zodíaco cansa muito. Porque razão é reflexão, cuidado, pensamento e esse signo pensa em absolutamente tudo. Desde as palavras até o jeito com que vai apertar a mão da pessoa quando conhecer ela. E isso cansa. Pouco é falado sobre isso, mas por mais que adorem estar na companhia dos outros, por mais que adorem um bom papo, por mais que gostem de estar acompanhados bem mais do que sozinhos, às vezes Libra precisa dos seus momentos de solidão para recarregar as baterias. Agora é fácil entender porque esse signo recebe a fama de indecisão. Todas as opções são válidas e todas as consequências são premeditadas e o resultado final tem que ser sempre o equilíbrio. É o signo da Balança. Libra nasceu para ser da corte. Não que Libra seja fresco, por mais que tenha bom gosto. Não que Libra se ache melhor do que os outros. Pelo contrário disso. Nasceu para ser da corte no sentido de que Libra espera ser cortejado. Ele pensa no que vai falar para não te magoar, ele pensa no seu bem estar, ele pensa no seu espaço e não quer invadir, então espera o mesmo. Libra odeia discussão, briga, confusão. Alguém de Libra que adora barraco, tem outro signo que grita no mapa. Uma pessoa tipicamente libriana vai fugir da discussão como o diabo foge da cruz. Libra não gosta de entrar em contato com a escuridão, por isso é o signo que precede Escorpião, onde todas as coisas ruins vão vir à tona e serem jogadas na cara. Libra não. Libra prefere esconder debaixo do tapete. Por isso é antiscion (espelho) de Peixes: prefere colocar o seu óculos cor de rosa, mas ao contrário desse signo ele tem muita consciência de que existem coisas ruins no mundo. Libra é o signo do equilíbrio e essas pessoas não vão ficar caladas quando presenciarem uma cena de injustiça. Por isso, muitas pessoas que tem Libra forte no mapa se aventuram pelo Direito, são juízes ou juízas. Julgar é sua especialidade e nisso são ferozes. Mas vão sempre buscar a imparcialidade, crentes de que ela realmente é possível. Não é muito difícil se apaixonar por esse signo, mas é extremamente fácil fazer com que essas pessoas fujam. Demonstre ciúme, possessividade, agressão, violência. Em suma, desregule o equilíbrio, faça com que um dos pratos da Balança penda para um lado. Com a maior calma do mundo, sem te magoar, talvez fazendo até você se sentir culpado, essas pessoas vão embora e deixar você com um gosto amargo de arrependimento. Libra não gosta de amargor. O vício desse signo é o doce. Doce sabor de coisa boa. (E doce de verdade: são viciadas!)

COM QUEM POSSO ME CASAR: Libra é o signo do casamento, da união, do "antes acompanhado, do que só", mas tem muita dificuldade com a realidade de um relacionamento, por isso vai querer sempre alguém que o surpreenda, faça do relacionamento um suave desenrolar de emoções boas. Signos de Ar (Gêmeos, Aquário e Libra) têm a mesma dificuldade em lidar diretamente com os sentimentos e vão proporcionar bons momentos. Signos de Fogo (Leão, Áries e Sagitário) vão ficar impressionados com tanta beleza e educação. Libra, como eu disse, é antiscion de Peixes. Tem muita coisa em comum: o apreço pela beleza, a mesma dificuldade de magoar as pessoas, o mesmo charme, sedução e vontade de lidar apenas com coisas boas. Ficarão admirados um com o outro e Peixes pode ensinar Libra a lidar melhor com os seus sentimentos, enquanto Libra mostra a Peixes a lidar melhor com o mundo real.
3 de abril de 2017

Pequenas carências



Estar bem comigo mesmo não me exime de sentir falta. Eu sinto, sem vergonha de assumir.

Eu sinto falta... de receber uma mensagem de bom dia, andar de mãos dadas, deitar no peito de quem eu amo e ouvir seu coração bater. Essas coisas simples. Sinto falta até de coisas que há tempos não tenho: alguém que me abrace, me ame, pegue na minha mão e diga “tá tudo bem”, quando eu sei que não está. Nós dois sabemos, mas um abraço, um beijo e um pedaço de melancia podem fazer o mundo parar de girar por alguns minutos.

Sinto falta de tirar a capa de “nada me atinge”, dormir de conchinha e alguém que sorria ao receber uma mensagem minha. E pare o que estiver fazendo por alguns segundos para garantir que eu sei do sorriso, pela resposta rápida.

Alguém que me encaixe nos cinco minutos da sua agenda lotada de terça-feira. E diga eu te amo com orgulho, tão bêbado que, mesmo eu não bebendo, me embriague com seu hálito, na sexta-feira ou quem sabe mesmo no sábado.

Não é preciso muito para eu me apaixonar: sinto falta de alguém pegar as minhas mãos e sair andando por aí. A caminhada é mais importante que o destino. Ser o cara que eu tenho orgulho de chamar para um feijão tropeiro com a família e que minhas amizades assumam, talvez a contragosto, que é a pessoa certa pra mim.

Eu realmente sinto falta, alguns dias mais que outros e em uns, com tanta força que parece que me falta um dente.

Enamorar pelos seus defeitos e amá-lo após as brigas. E não ter medo de perder quem a gente ama.

Sinto falta dos abraços de urso, beijos de halls de menta, a preguiça dos domingos e os casacos dele que ficam melhores em mim do que nele.

Quando eu penso nesses momentos não me vem um rosto a mente, mas sinto falta de chamar esse cara de rosto desconhecido que anda por aí de namorado. E ser seu companheiro e melhor amigo, mesmo (e mesmo se houver) depois do fim.

O signo de Aquário



Ok aquarianos e aquarianas. Vocês furaram o meu esquema, mas aqui estou. Aquário... Signo de ar: comunicação, contato, diversificação. Só que fixo. Como é que eu vou explicar? Um furacão. Acho que isso resume bem Aquário. Quem tem esse signo forte no mapa veio para destruir. Aquário não tem medo de mudança, Aquário não gosta é do marasmo, da tranquilidade, do "sempre as mesmas coisas". Vai quebrar, vai destruir, vai polemizar, vai questionar, vai problematizar, vai manter e defender a sua opinião custe o que custar. Fixo né mores? Talvez eles até te convençam que a opinião deles é realmente a mais sensata. Ou não. Ar é racional. Isso quer dizer colocar a razoabilidade acima do sentimento. Aquário não é frio: Aquário só quer ser deixado no seu canto. Quem tem esse signo forte no mapa tem muita dificuldade em lidar com seus próprios sentimentos e por isso vai preferir esperar que você seja sensato, sincero e honesto antes de ser passional. Quer conquistar alguém de Aquário? Faça amizade com essa pessoa e mostre que tem mente aberta, gosta de conversar e um mínimo de conhecimento. Signo de Ar odeia gente ignorante, hein? Mas não venha com drama. Não faça chantagem emocional. O máximo que você vai conseguir é um leve erguer de sobrancelha e olha lá. Aquário é domicilio de Saturno, tem muita dificuldade com emoção. Desapegados? Sim! Só fica enquanto tem respeito, companheirismo, amizade... Acabou? Tchau! É um signo muito leal, muito companheiro, pensa muita nas outras pessoas. É o exílio do Sol, então tem uma dificuldade muito grande com autoridade, com arrogância, com pessoa estrelinha demais. Aquário é signo de pessoas hipsters. Se destacam pela singularidade e por serem "diferentes dos meros mortais". Sim, diferentões! Odeia gente mandando! Por isso tem muita dificuldade com empregos tradicionais, com figuras de autoridade e poder. Aquário é a galera da tecnologia, da comunicação, meio humanas, sabe? Tem uma visão a longo prazo muito boa. É aquela pessoa que fala: "você vai quebrar a cara por isso, isso e isso". E acontece do jeitinho que eles falaram. Se dão bem com todo mundo, não têm preconceito muito acentuado não e lutam para acabar com os que têm. É um signo muito de boa. Tudo tem uma solução, é só parar e pensar. Acontece que sentimento não é muito de pensar, sabe? Por isso eles se embolam muito em demonstrar o que sentem. Não são pessoas frias. Capricórnio é mais frio, só que não gostam muito de muita complexidade emocional. Se pudessem resolveriam tudo em uma conversa saudável. São muito de boa, lembra?

COM QUEM COMBINO? Ah, amigues! Vamos falar a verdade, né? Você não quer nada com ninguém. Mentira. Bem, com tudo isso que eu falei era de se esperar que o ideal é fugir de Escorpião, mas os dois são antiscion e tem muita coisa em comum. Sao signos muito intensos, muito leais e que tem um senso de renovação muito importante. As diferenças se complementam, no sentido de que um é muito racional e outro muito emocional, mas vai ter briga. Escorpião é possessivo. Aquário é do mundo. A escolha mais confortável é alguém com Ar (Libra, Gêmeos e Aquário) forte no mapa ou Fogo (Áries, Sagitário e Leão). Água e Terra vai gerar muito atrito, muita briga, muito mimimi que você não está disposta!
18 de março de 2017

O signo de Capricórnio



"Atendendo ao pedido da irmã mais velha, o próximo signo será Capricórnio". Observem que não se trata de um pedido. Capricórnio é assim. "Tem que ser do meu jeito". Não é pra menos. Capricórnio é cardinal, signo de atitude, de empreendedorismo e Terra. Terra é base, controle, previsão, segurança. Capricórnio só age se tiver certeza em que chão está pisando. Programa tudo. Até os mínimos detalhes do final de semana. "Eu saio de casa às 20 horas, dá tempo de você tomar banho, porque eu sei que você sempre atrasa, eu gasto cinco minutos de carro para te pegar e às 21 horas a gente está do lado de fora do restaurante". Domicílio de Saturno, o planeta da responsabilidade, da maturidade, da racionalidade. Quem tem Capricórnio forte no mapa já nasceu adulto. Sabe muito bem que todas as suas ações têm consequências e se coloca como responsável por todas elas. Capricórnio é líder natural: se ninguém controlar, ele vai lá e toma à frente. Odeia estar em situações, relacionamentos, empregos onde ele não sabe o que esperar. E é muito ambicioso. E muito sovina. Aliás, econômico. Capricórnio gosta de se precaver. Na história da cigarra e da formiga, nitidamente a formiga é capricorniana. Odeia desperdício e é muito, muito, muito racional. Exílio da Lua, Capricórnio nunca coloca os seus sentimentos antes dos seus objetivos. Não espere que ele desista daquela viagem para a Alemanha porque está com o casamento marcado. Negócios são negócios. Relacionamentos são relacionamentos. Isso não quer dizer que essas pessoas não sintam. Não é isso. Elas guardam. Guardam muito. Quem tem Lua em Capricórnio só mostra o que está sentindo, quando explode. É como uma esponja. Espreme que sai. Capricórnio não é romântico. É frio, seco, duro, mas é estável. Muito estável. Ele vai estar lá quando todos os outros signos forem embora. Aliás, essa é uma característica dos signos de Terra. Eles são muito estáveis. Capricórnio gosta de estabilidade. Ele tem que saber em que chão ele está pisando. Pessoas inconstantes e apressadas demais não têm vez. Lento e constante, mas sem parar. E assim Capricórnio vai conquistando: calmamente, calculando milimetricamente todos os seus passos. Quando você der por si, ele está no topo da cadeia alimentar e então você o/a verá sorrindo. O humor de Capricórnio é ácido. Se não for pra te derrubar, é pra rir porque está em cima de você. Venenosos, perigosos e poderosos. E adoram os prazeres terrestres, se é que me entendem. Não é por acaso que era associado ao demônio. E há quem diga Satanáries... Inocentes!

TENHO CAPRICÓRNIO FORTE NO MAPA. COM QUEM POSSO ME ESTABELECER? Fuja de signos de Ar (principalmente Gêmeos e Aquário) que são extremamente imprevisíveis e vão odiar ser controlados por você. Libra também sempre dá um jeito sutil de mostrar que não veio pra ser mandado, mas é tão racional quanto Capricórnio, só não é tão estável quanto. Signos de Fogo (Leão, Sagitário e Áries) dão fight. Água (Escorpião, Câncer e Peixes) vai te acalmar, ao mesmo tempo que vai te tirar dos nervos, mas é uma escolha mais confortável porque também deseja estabilidade. Terra (Touro e Virgem) também gostam da estabilidade e têm os mesmos objetivos. Minha dica é investir em Touro: calmo, pacato e estável. Só não se engane: no final você é que vai ser comandado por tanta doçura e calma.